quarta-feira, 24 de outubro de 2018

YOU 👀📚

Eu sei, eu sei... Já lá vai uma eternidade... Não há desculpas! Estas evitam-se, mas a série que vos trago... Façam de tudo para a ter nas vossas vidas, o quanto antes. (Mesmo!)

Quis o universo que eu me formasse em Letras, contudo a primeira opção que escrevi lá na folhinha de ingresso para a universidade era Psicologia. Não sei se esse é que era o caminho certo ou se, nesta altura, já seria demasiado lúcida para o meu gosto. Enfim, possibilidades que não foram exploradas, no entanto, nada que um bom thriller psicológico não resolva.

A mente humana é aquela caixinha que, quando menos se espera, nos brinda com um palhaço maroto e bêbedo de mola. Mais tarde ou mais cedo, a mola dá de si e quase nos esbofeteia com essa figura sinistra do circo.

A série que vos apresento, YOU, versa sobre um rapaz que, claro está, não tem a mola afinada. Joe é um fulano muito interessante: dono de uma livraria, conversa inteligente, atencioso, humor clássico, low profile. O nosso protagonista conhece Beck, uma moça bonita e igualmente culta, quando a jovem estudante de Literatura se dirige à loja para adquirir uma obra de renome. À primeira vista, ambos ficam fascinados um pelo outro, passarinhos chilreiam, as personagens riem em slow motion e trocam olhares profundos. Tinha tudo para dar, não tinha? Tinha, não fosse o nosso Joe obsessivo e exímio na arte do stalk.



Fonte:https://cdn-images-1.medium.com/max/1600/1*ZEplP22VfhZhEX2dnhqDyw.jpeg


Apesar de ser um perseguidor na verdadeira aceção da palavra, o caráter de Joe não é linear. Há, efetivamente, comportamentos reprováveis que violam a lei de uma ponta à outra, porém o lado sensível e cortês também se manifesta. É-nos dado um vilão next door que controla a amada pelas publicações e pelas mensagens que constam das redes sociais, uma vez que, na sociedade moderna, a verdade encontra-se sempre online. A insegurança e a falta de amor próprio, fazem com que Joe extrapole os limites da grande teia e ataque, fisicamente, os obstáculos que afrontam a felicidade de Beck. Por outro lado, como referi, o diagnóstico de perseguidor maníaco não impede Joe de ser uma boa referência para os que o rodeiam.


Fonte:https://www.austinchronicle.com/binary/46a2/ATX-you.jpg


E aqui entra a velha história ''nem os bons são tão bons, nem os maus são tão maus'' (A Mariana já escreveu sobre este assunto. Leiam.). Para além de orientar o vizinho Paco para as boas leituras e para o mundo imaginário, também o consola do drama de violência doméstica que existe dentro do lar. De modo a preservar a infância do garoto, vai, aos poucos, plantando-lhe o gosto pelos livros.


Fonte:http://images6.fanpop.com/image/photos/41400000/
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Com Beck, esmera-se para ser o namorado perfeito, dando-lhe tempo e incentivando a jovem a aperfeiçoar as suas capacidades de escrita. Enquanto isso, nos bastidores, vai eliminando as amizades e as relações frívolas que impedem Beck de manter uma vida pessoal saudável e um percurso académico imaculado. Todavia, Joe mostra-se um vilão sem plano: age por impulso, fia-se no raciocínio rápido de ocasião, na sua atitude de romance de cavalaria e na audácia. O espectador fica à beira de um ataque de nervos, já que o livreiro, desajeitado, nunca é apanhado por um triz. Sim, é possível que se sintam culpados pelo facto de desejarem, secretamente, o êxito de Joe. 😉

Bom, sendo a mente humana uma surpresa, devo aguçar a vossa curiosidade dizendo que o protagonista não é o único que esconde segredos. Numa sociedade plástica, a bondade fica a meio do caminho e cede, o outro meio, ao medo, à frustração e ao supérfluo. É neste momento que o palhaço de mola se solta da caixa.

YOU será constituída por dez episódios, exibindo, esta semana, o sétimo capítulo. Aconselho vivamente, para uma reflexão acerca do mundo tecnológico, das relações de amor e de amizade (num tempo onde tudo se partilha nas redes sociais) e da nossa pegada digital.





Escrito por Susana Ferreira.