terça-feira, 17 de julho de 2018

Leviano 🍊

Os cartazes direcionam, desde logo, a atenção do espectador para o mistério e para a sensualidade que o filme parece prometer. Na verdade, os corpos húmidos e os olhares de reserva, num Algarve abundante em citrinos e em paisagens famosas pelos seus vários tons de azul, entreabrem um argumento protagonizado por um velho duo: a luxúria e a cobiça. 


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A família das mulheres Paixão, composta pela matriarca Anita e pelas suas três filhas adolescentes (Carolina, Júlia e Adelaide), inicia a película dando uma entrevista acerca de um caso bicudo que espoletou um ano antes da cena de abertura. As mulheres vestem preto, mostram-se cabisbaixas, mas recetivas a falar sobre tudo o que aconteceu à jornalista Teresa Leite (um bocadinho inspirada, segundo o realizador Justin Amorim, na apresentadora Cristina Ferreira).



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Um ano antes, assistimos a uma Anita a passar pela crise de meia idade. A completar 50 anos, a mulher que deveria ser a líder da família e o símbolo da ordem e do respeito apresenta-se como uma menina rabina, crente de que a vida são rosas, paz, amor e um jovem futebolista de corpo esculpido, de falinhas mansas e de sorriso maroto. Longe de aceitar a idade que a matemática dita, a matriarca decide fugir com a sua conquista para parte incerta, deixando as filhas sem rede.


Carolina (que lê a Bíblia para enganar o despertar da sua sexualidade) e Paula (cujo único vício é mesmo um cigarro de vez em quando), ainda que frágeis, lá se orientam sozinhas. Não faltam às aulas e seguem, naturalmente, as regras do jogo. Por outro lado, Adelaide (19 anos) é a verdadeira dinamite de toda a trama.


Adelaide demonstra pouco interesse pela escola e pela trivialidade. Faz o que pode para desalinhar o chacra da mãe, já que reprova a vida fútil e ociosa que Anita leva. Por sua vez, é visível a inveja que nutre pela beleza e pelos namoricos da mesma. Em suma, Adelaide é uma laranja (o fruto rei do Algarve e o fruto proibido em Leviano): bonita, perfumada e apetecível, porém moída cedo demais. Com a ânsia de perceber o que é o amor e de entrar em competição com a mãe e com as irmãs, a adolescente atravessa momentos conturbados. A cobiça que pauta o seu carácter gera a revolta e a infelicidade que assombram a família Paixão no presente.


Decididas, as irmãs vão em busca da progenitora. Pelo caminho, como em todos os caminhos, as jovens tropeçam nos próprios pecados e em situações rocambolescas que fazem prever o final trágico e imprudente, como não poderia deixar de ser.


Confesso que a fotografia e a banda sonora me cativaram logo. A meu ver, são as laranjas de Eva deste filme. No que diz respeito à atuação, destaco os quatro elementos femininos principais (Anabela Teixeira, Diana Marquês Guerra, Alba Baptista e Mikaela Lupu) e, no masculino, aquela aposta quase sempre ganha a fazer papéis de rufia, José Fidalgo.


Gosto de acompanhar o cinema português e fico muito orgulhosa quando deixo a sala e trago uma mensagem para casa. Ainda que, por vezes, apresentada de forma ''leviana'', a película faz-nos pensar acerca do senso de justiça, das relações familiares e amorosas, da predisposição para comportamentos rebeldes e as suas consequências e, sobretudo, acerca da inveja... Que é, como diria Boss AC, «um sentimento muito feio».


E vocês ? Já viram ou têm interesse no filme?



Escrito por Susana Ferreira. 


2 comentários:

  1. Mais uma vez, GRANDE TEXTO. Otima revew! Deixa vontade de ver o filme. És a nossa Mexia!! Beijinhos, Joana

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  2. Awww Joana ♥ Obrigada pelas tuas palavras e pela tua simpatia! Muitos beijinhos.

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