segunda-feira, 30 de julho de 2018

Get Out - Os monstros são todos humanos


Chris e Rose seriam um casal comum aos olhos da sociedade se a cor de pele não os distinguisse automaticamente. E esse é o motivo que faz Chris temer a visita aos pais dela. 

O receio parece desvanecer quando a família o recebe de braços abertos, embora tenha de tolerar a tentativa fracassada do pai de Rose ser engraçado e a obsessão do irmão pela sua destreza física. 

Fontehttps://cdn-stream.httpid.com/c201/wp-content/uploads/2018/03/get-out-dinner.jpg


A mãe, que se mostra muito gentil, convence Chris a experimentar uma sessão de hipnoterapia para curar o seu vício de tabaco. Contudo aproveita para o fazer revisitar um acontecimento do passado que o martiriza até ao presente. 

Fonte: https://metrouk2.files.wordpress.com/2018/03/get-out.jpg


Ele acaba por se intrigar com a empregada e o caseiro da casa, tentando interagir com os dois, Chris constata a estranheza das duas figuras, percebida nos gestos e no próprio discurso. 

Fonte: https://78.media.tumblr.com/4db0fd376926d93403b0263eb71227e5/tumblr_opyhhkqd5e1qa3emao5_540.gif

Fonte: https://cdn-images-1.medium.com/max/800/0*82qF7pVhPo-182tQ.


A reunião anual da família acontece e serve para adensar a apreensão de Chris que é alvo da atenção de todos, os mesmos que elogiam o seu porte físico e destacam as qualidades da raça negra. 

Sentindo-se ímpar, Chris tenta socializar com alguém que parece reconhecer. No entanto, as roupas e a forma como se comporta não se adequam com a pessoa que conhecia. A certa altura, quando Chris desconfiado, tenta fotografá-lo, o indivíduo altera-se e dirigindo-se a Chris, diz: 


— Foge!


Fonte: https://img.wonderhowto.com/img/11/50/63644369523394/0/throw-regular-clothes-for-halloween-still-terrify-everyone-as-characters-from-get-out-group-costume-guide.w1456.jpg


Este acontecimento faz com que Chris decida ir embora. Ele explica a estranheza das situações a Rose que tenta acalmá-lo. Não conseguindo demovê-lo, os dois preparam-se para partir. 


Mas não será assim tão fácil, já que como Chris sempre suspeitou a fixação com os negros tem uma explicação, mais sórdida do que ele e nós espetadores poderíamos imaginar e que nos faz pensar até onde pode chegar a deformidade da mente humana. 

A questão é



Quem dá mais?

Fonte: https://mariholman.files.wordpress.com/2018/02/get-out-leilacc83o.jpg?w=744&h=327





Escrito por Mariana Pinto

sábado, 28 de julho de 2018

Sharp Objects 🔪

Fonte: https://i.imgur.com/oYcyl6A.jpg:large



Camille Preaker (Amy Adams) vive numa espécie de purgatório. Esse lugar difuso situa-se, neste caso, em Chicago. Profissionalmente, Camille é uma jornalista que cumpre as suas obrigações, no entanto é impossível esconder o cheiro profundo a Vodka e o aspeto desleixado com que se apresenta no quotidiano. A motivação é pouca, mas a bebida e o Ipod lá desempenam a máquina. 



Frank Curry, o editor do jornal St. Louis Chronicle, é daqueles patrões com um coração no lugar do coração. Raro. Percebendo que a subordinada Preaker está a cavar um buraco cada vez maior, tira-a do purgatório e envia-a para o inferno, que é como quem diz, Wind Gap. Curry julga que o melhor para a sua jornalista é voltar ao lugar onde nasceu, para junto da família, resolver os assuntos pendentes. Assim sendo, incumbe-a de investigar assassinatos de crianças que estão a suscitar a curiosidade dos populares. 




Fonte: http://www.magazine-hd.com/apps/wp/wp-content/uploads/2018/06/sharp-objects.jpg



Muito contrariada, Camille assente a decisão. Quando chega a Wind Gap,... O espectador é surpreendido. Para além de nos aparecer uma cidade com contornos místicos, aparece-nos uma família bem peculiar. A mãe, Adora Crellin, é a figura mais caricata: é como se uma Hippie se fundisse com a Cruella de Vil ... Obtemos uma maldade encoberta com a premissa de ''paz e amor''. Ora dança, ora arranca umas pestanas dos próprios olhos, ora se mostra desolada com as vítimas da cidade, ora controla Camille até à exaustão, ora brinca com a filha mais nova às casinhas de bonecas. Note-se que Amma, a irmã mais nova de Preaker, já é quase uma mulher feita, mas ainda põe uns vestidos rodados, um laço no cabelo e distrai-se com umas Barbies. Muito estranho, não é?



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Fazendo-se acompanhar por uma garrafinha de álcool, a jornalista lá vai trabalhando nos casos que assombram a região. De dia, entrevista algumas testemunhas e, de noite, escreve os textos encomendados. Pelo meio, o espectador fica desconfiado de que há algo superior que, certamente, justifica os litros e litros de Vodka. Antes de Amma, a irmã mais nova de Camille era Marian Preaker, que morreu aos onze anos. Marian vai aparecendo em alguns flashbacks, sobressaltando Camille. Aos poucos, vamo-nos apercebendo da culpa e da tristeza que a jornalista sente por causa desta tragédia tão prematura. 



Wind Gap devolve os fantasmas a Camille. Por mais que peça ao seu editor para regressar a Chicago, este diz que ainda não é o momento certo. É no final do primeiro episódio desta minissérie da HBO que conhecemos a verdadeira adição da personagem principal: a automutilação. As camisolas de manga comprida (faça chuva ou sol), a admiração pelos ditos ''objetos afiados'', o pouco cuidado com o aspeto físico e a bebida escondem palavras que foram gravadas ao longo de todo o corpo, com agulhas, parafusos e mais. Entre essas palavras, encontram-se os títulos de cada um dos oito episódios da série. 



A prestação da Amy Adams está sublime e o argumento, para além de retratar uma doença muito sensível, não deixa de envolver o espectador em mistério e numa aura quase sobrenatural. Se, por um lado, queremos que Camille se mantenha focada e que não ceda aos desejos de morte e à voz interior que a faz odiar-se, por outro lado, ansiamos que se descubra o responsável pelos homicídios das diversas crianças. Eu cá já tenho as minhas suspeitas e recomendo que vejam e que partilhem comigo as vossas. 😊 Já sinto muitas nomeações para o lado da Amy! 🏆




Escrito por Susana Ferreira. 

terça-feira, 17 de julho de 2018

Leviano 🍊

Os cartazes direcionam, desde logo, a atenção do espectador para o mistério e para a sensualidade que o filme parece prometer. Na verdade, os corpos húmidos e os olhares de reserva, num Algarve abundante em citrinos e em paisagens famosas pelos seus vários tons de azul, entreabrem um argumento protagonizado por um velho duo: a luxúria e a cobiça. 


Fonte: https://m.media-amazon.com/images/M/MV5BZGYyMmM4OWItMThkMy00ZTg0L
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A família das mulheres Paixão, composta pela matriarca Anita e pelas suas três filhas adolescentes (Carolina, Júlia e Adelaide), inicia a película dando uma entrevista acerca de um caso bicudo que espoletou um ano antes da cena de abertura. As mulheres vestem preto, mostram-se cabisbaixas, mas recetivas a falar sobre tudo o que aconteceu à jornalista Teresa Leite (um bocadinho inspirada, segundo o realizador Justin Amorim, na apresentadora Cristina Ferreira).



Fonte: https://m.media-amazon.com/images/M/MV5BOTJmNGYzMGQtMTZlYy00Mzg3LWFhOWQtZDY5Mzc4MDM3NDJ
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Um ano antes, assistimos a uma Anita a passar pela crise de meia idade. A completar 50 anos, a mulher que deveria ser a líder da família e o símbolo da ordem e do respeito apresenta-se como uma menina rabina, crente de que a vida são rosas, paz, amor e um jovem futebolista de corpo esculpido, de falinhas mansas e de sorriso maroto. Longe de aceitar a idade que a matemática dita, a matriarca decide fugir com a sua conquista para parte incerta, deixando as filhas sem rede.


Carolina (que lê a Bíblia para enganar o despertar da sua sexualidade) e Paula (cujo único vício é mesmo um cigarro de vez em quando), ainda que frágeis, lá se orientam sozinhas. Não faltam às aulas e seguem, naturalmente, as regras do jogo. Por outro lado, Adelaide (19 anos) é a verdadeira dinamite de toda a trama.


Adelaide demonstra pouco interesse pela escola e pela trivialidade. Faz o que pode para desalinhar o chacra da mãe, já que reprova a vida fútil e ociosa que Anita leva. Por sua vez, é visível a inveja que nutre pela beleza e pelos namoricos da mesma. Em suma, Adelaide é uma laranja (o fruto rei do Algarve e o fruto proibido em Leviano): bonita, perfumada e apetecível, porém moída cedo demais. Com a ânsia de perceber o que é o amor e de entrar em competição com a mãe e com as irmãs, a adolescente atravessa momentos conturbados. A cobiça que pauta o seu carácter gera a revolta e a infelicidade que assombram a família Paixão no presente.


Decididas, as irmãs vão em busca da progenitora. Pelo caminho, como em todos os caminhos, as jovens tropeçam nos próprios pecados e em situações rocambolescas que fazem prever o final trágico e imprudente, como não poderia deixar de ser.


Confesso que a fotografia e a banda sonora me cativaram logo. A meu ver, são as laranjas de Eva deste filme. No que diz respeito à atuação, destaco os quatro elementos femininos principais (Anabela Teixeira, Diana Marquês Guerra, Alba Baptista e Mikaela Lupu) e, no masculino, aquela aposta quase sempre ganha a fazer papéis de rufia, José Fidalgo.


Gosto de acompanhar o cinema português e fico muito orgulhosa quando deixo a sala e trago uma mensagem para casa. Ainda que, por vezes, apresentada de forma ''leviana'', a película faz-nos pensar acerca do senso de justiça, das relações familiares e amorosas, da predisposição para comportamentos rebeldes e as suas consequências e, sobretudo, acerca da inveja... Que é, como diria Boss AC, «um sentimento muito feio».


E vocês ? Já viram ou têm interesse no filme?



Escrito por Susana Ferreira. 


quinta-feira, 12 de julho de 2018

A Raven está de volta! 👁

Sim, eu sei. Já faz mais de um ano que a Raven voltou, mais crescida, e com uma família maior. Não vi logo os novos episódios porque, na verdade, estava com medo de que o meu ''eu'' de 2018 rejeitasse a nova Raven e apagasse as boas memórias da Raven de 2002. Contudo, já estou a par de toda a situação!

Antigamente, a box da TV Cabo (que, posteriormente, evoluiu para ZON e, hoje em dia, conhecemos como NOS) tinha muitos canais de valor acrescentado. O Disney Channel era um deles. Cá em casa, tínhamos o pacote mais pequeno de canais e, adicionar o Disney Channel, aumentava significativamente o custo da mensalidade desta nova forma de ver televisão.

Um vez por festa, a TV Cabo deixava todos os canais em aberto durante algumas horas e, no melhor cenário, durante alguns dias. Não imaginam a alegria que eu e a minha irmã sentíamos ao marcar o número 40 no telecomando e, graças a falhas no sistema ou a manobras de marketing, lá aparecia a House of Mouse, a Kim Possible, a Brandy e o Mr. Whiskers e, à noite, That's so Raven!!




Fonte: https://i0.wp.com/espalhafactos.com/wp-content/uploads/2017/04/8c6ba46e-7d47-4ff5-9112-2207ac47b5d4-1477584869.jpg?resize=759%2C500&ssl=1





🎵 If you could gaze into the future (future)
You might think live would be a breeze (Life is a breeze)
Seeing trouble from a distance (yeah) (go rae)
But it's not that easy (oh no) 🎵




A Raven era muito divertida, confiante, gostava de arte, mais especificamente de design de moda (na altura, esta também era a minha profissão de sonho 😃), e tinha uma habilidade especial: previa o futuro. Durante o episódio, Raven tinha sempre uma visão. Se esta fosse boa, a protagonista e a sua melhor amiga Chelsea fariam de tudo para assegurar que se iria concretizar; se, pelo contrário, a visão fosse um mau agouro, as companheiras prontificavam-se para fintar o futuro. 


Depois de muitas peripécias, tudo acabava bem e a lição que o petiz espectador deveria aprender era que, mesmo para quem tem superpoderes, a vida não é perfeita e nada é exatamente como idealizamos. Ao longo dos cem episódios (sim, foi talvez a mais longa série do Disney Channel) da Raven de ''primeira fase'', somos cativados pela roupa criativa que veste, pelos seus desfiles de perucas e pelos tempos de comédia certeiros de Symoné. 



Fonte: https://3.bp.blogspot.com/-8bNFzRXE5ro/WomzL86zN1I/AAAAAAAABww/AkXiRjdl8hYJYyCNAcvLRLPgIIId009pQCLcBGAs/s1600/1000x405-Q100_6d230a52d8adbb21aa9fabe613e8763a.jpg


Fonte:https://www.tvinsider.com/wp-content/uploads/2017/10/146690_0046_R2-1014x570.jpg



Como referi, a lição a retirar é que a vida não é perfeita. A ''nova fase'' da Raven vem comprovar isso mesmo e sublinhar que a criatividade e a persistência são as virtudes essenciais que devemos cultivar. Os casamentos de Raven e Chelsea não correram bem e as amigas, agora na casa dos trinta e com filhos, estão longe de trabalhar no que sonharam. Raven é designer de moda canina e Chelsea, que outrora fez sucesso na publicidade, está desempregada e sozinha, já que o marido lhe roubou uma pequena fortuna. 


De modo a combater as dificuldades financeiras e a restabelecer a alegria e o divertimento, as amigas decidem viver juntas, com as suas crianças. O apartamento de Raven abriga, então, Chelsea e o pequeno génio economista Levi. O foco está mais voltado para a criançada, uma vez que um dos gémeos Baxter partilha o superpoder da mãe. Agora temos visões em dose dupla, mães à beira de um ataque de nervos, mas que continuam cool e a praticar os seus moves, mais perucas, moda para cães e tentativas desesperadas de manter a ordem no caos. 


Para mim, a Raven sempre terá muita piada. Lembro-me perfeitamente das cenas que me fizeram rir nos idos de 2002, 2003 ou 2004... Agora, a gargalhada é mais difícil. A comédia não me assenta tão bem como o drama, mas com umas bainhas e uns apertos... Vai lá! A atitude de diva continua e a espirituosidade também. A meu ver, das melhores séries que a Disney fez nos últimos tempos. Julgo que é muito importante mostrar, aos mais novos, modelos e padrões diferentes de sucesso, de corpo e de confiança. Em suma, diversidade.


P.s. Sei que é errado, mas continuo a querer ter o poder da Raven. Porém, tal como a filha dela, vou tentar dedicar-me mais à lógica das coisas. Este é o meu último post com 25 anos (😟😅 ) e, com o avançar da idade, estou a perder a esperança de que as visões algum dia apareçam. 👁




Escrito por Susana Ferreira. 

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Por favor, não fiques com o meu homem

Pois, e estais agora vós à espera de um texto onde eu discorra sobre um profundo desgosto amoroso. Não vos deixeis iludir que o meu génio não pende para esses devaneios. Contudo, para vosso gaudio, deixo a informação de que o sucesso de vendas Prometo Falhar estará brevemente nos cinemas portugueses. E aí tereis a extrema epifania no que toca aos lugares (parvos) comuns do amor. Tal como o autor, também eu prometo algo, PROMETO NÃO VÊ-LO.



Depois deste desabafo, precisava de partilhar isto, vamos ao que aqui me traz. Já confessei que o titulo do texto é enganador, mas amigo(a)s o mundo é dos espertos, então arquitetei a melhor forma de vos persuadir a fazer este clique. No entanto, não foi escolhido apenas com essa intenção, nem o meu TOC me deixaria.


Ora então, como tudo tem de ter uma explicação lógica na minha mente, selecionei um dos versos do refrão da música que se tornou um grande ópio para mim recentemente. A letra não tem qualquer elo de ligação à minha situação, porém há algo na sonoridade que me faz ouvi-la imensas vezes por dia.


Fonte: https://i.ytimg.com/vi/Ym12hnB7oZo/hqdefault.jpg



Partindo deste facto, constato algo que já havia verificado, o efeito intenso da música na vida de cada um. E o mais engraçado, a forma como existem músicas que se adequam a determinados momentos. Dependendo da disposição, vamos revisitando diferentes músicas.


No meu caso, a alegria contagiante faz-me ouvir Pabllo Vittar ou Ivete Sangalo e afundar-me na vertente do funk. Já a nostalgia obriga-me a ir ao encontro dos dilemas amorosos da Amy Winehouse ou das reflexões metafóricas dos Imagine Dragons.


Fonte: https://media1.tenor.com/images/16497c7ca794a858006ad63c561f014b/tenor.gif?itemid=11115140




Fonte: https://78.media.tumblr.com/4f22caf4cccf7483cb4d0767aa3e5341/tumblr_oiv3tulxiv1qhmwdpo1_500.gif



Sem dúvida que as melodias nos despertam emoções e felizmente são anticorpos no combate a profundos rasgos de tristeza. Há até aquelas que nos fazem sentir poderoso(a)s, transportam-nos de imediato para o cenário do videoclipe e alto lá para a nossa representação exímia.



Fonte: https://i.pinimg.com/originals/5a/20/6e/5a206e48abf77da18965ac705a30ad6f.gif




Escrito por Mariana Pinto