sábado, 30 de junho de 2018

À grande e à realeza

Ontem, a minha avó perguntou-me se eu lhe podia explicar como fazer um ensopado de cabrito. Ai ai ... Eu nem sei fazer o IRS, quanto mais um ensopado de cabrito. A única coisa que eu sei fazer bem é encher a barriga de séries e, por isso mesmo, estamos aqui hoje.

Não sei se comem cabrito, mas que apreciam uma boa lagosta e uma boa caçada, disso não tenham dúvidas. Falo, especificamente, da rigorosa Rainha Isabel II e do opulento Luís XIV. Nunca percebi muito bem a admiração das pessoas pela família real britânica e, como tal, decidi ver a famosa série da Netflix - The Crown. Não ficando saciada com os vinte episódios do drama de corte, decidi aventurar-me por mais uns trinta de Versailles

Sempre me senti um pedacinho à margem da história da senhora que, publicamente, envergava umas fatiotas garridas e uma mala preta clássica que, segundo me informei, é obra da casa Launer. Quis erradicar essa ignorância e assistir ao sucesso que está a ser The Crown




Fonte:https://4.bp.blogspot.com/-OECOQ0Q7Vvo/WlIg7kRKm7I/AAAAAAAAErE/M2ZWv5uPeQA3DoclDZ3jolR1TtBMDCFZQCLcBGAs/s
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A série arranca em 1947, quando do casamento da futura rainha com Philip, duque de Edimburgo. O casamento ia bem, Carlos e Ana cresciam saudavelmente e Elizabeth estava longe de pensar que o seu pai, George VI, tinha os dias contados. O rei omitiu vários problemas de saúde, incluindo o cancro de pulmão, que acabou por ser fatal. O triste desfecho apanhou Elizabeth, na altura hospedada no Quénia, de surpresa. Muito contra a sua vontade e contra o curso natural das leis de sucessão, Elizabeth torna ao Reino Unido já rainha. 

Elizabeth comporta a atitude e a frieza de raciocínio necessários a este cargo, contudo, num mundo dominado por homens, é importante tomar precauções, de modo a não ser ludibriada e a exercer a política mais justa e adequada ao seu povo. 

Maravilhosamente interpretada por Claire Foy, Elizabeth vai aprendendo a dançar conforme a música, sem nunca abandonar a retidão e a eminência do seu dever. Todos podem opinar, mas só a Coroa pode decidir. A sua frigidez é, muitas vezes, posta à prova, deixando Elizabeth entregue à solidão. No entanto, as inseguranças que, pontualmente, a atormentam são afastadas pela vontade de cumprir as obrigações que lhe foram atribuídas. 


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Se, por um lado, estou muito ansiosa por ver a chegada de Carlos à juventude e, evidentemente, a entrada de Diana em Windsor, por outro lado, vou ficar com muitas saudades das personagens que conhecemos até agora, já que o elenco principal vai ser renovado (devido às suas idades). Pois é, parece que agora vamos conhecer uma rainha mais madura! Adeus, Claire... 😪



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Bom, como não tenho meias medidas, lá fui eu até França para ver os bastidores da corte do Rei Sol. Realmente, fiquei encandeada com a beleza do palácio de Versailles e com a vida privada dos nobres que nele habitam. Se em The Crown a privacidade e a intimidade da rainha são tratadas com muita delicadeza e algumas pinças (não é de bom tom roçar sequer a ''ofensa'' aos visados, uma vez que ainda desempenham funções), em Versailles tudo é realismo. Das cenas de matança até às cenas de nudez, senti uma relação muito próxima com Game Of Thrones

Já podem imaginar que é tudo à grande, não é verdade? Temos um Luís que precisa de descarregar a sua virilidade, comprando mais uma peça de mobiliário lá para casa (leia-se Versailles), ordenando uma ida caprichosa à guerra ou, simplesmente, deitando-se no seu leito com uma moça gira que se passeie pelas redondezas. A rainha fica muito afrontada, mas isso de pouco lhe serve, pois uma mulher, naquela época, era sinónimo de uma aliança com outro país ou de um objeto que assegurava a linha de sucessão. 

Podem esperar sangue, lágrimas, envenenamentos, conspirações contra o magnânimo, crueldade e suor. Todavia, quero realçar a minha personagem favorita de todo este cenário trágico: Philippe d'Orleans, o irmão rebelde do rei. Homossexual e com gosto pelo transvestismo, Philippe é a frescura da série. Ainda que o seu coração bata por Chevalier, o duque não esquece os seus deveres. Para além de ser honesto e amigo das mulheres que desposou, é um estratega nato. As suas investidas militares conferem glória a França e deixam Luís invejoso. E, como é óbvio, é com esta personagem que podemos soltar as poucas gargalhadas da série. 


Fonte:https://static.standard.co.uk/s3fs-public/thumbnails/image/2016/06/01/15/versailles-cast-7.jpg?w968h681

Fonte:https://h-france.net/fffh/wp-content/uploads/2017/03/image011.jpg



Uma mais altiva, a outra mais acutilante... Porém, as duas altamente recomendáveis. Ah! Já me esquecia! Há um bónus. Na terceira temporada de Versailles, vamos poder ver a atriz portuguesa Benedita Pereira no papel de uma nobre.   😉 Esperamos ansiosos. 





Escrito por Susana Ferreira.

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