segunda-feira, 12 de março de 2018

O bella ciao

Questa mattina mi sono alzato
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao





É difícil que esta música ainda não se encontre alojada, em loop, no teu cérebro. Desde que a série La casa de papel explodiu na Netflix e, consequentemente, nas redes sociais, que todos recebemos um ímpeto de força e, mesmo os mais tímidos, sonham com a flor da Resistência.


Fonte: http://www.imdb.com/list/ls027122650/mediaviewer/rm4098109696



La casa de papel conta a história de um assalto perfeito à Casa da Moeda de Madrid. Desenganem-se os que estão a pensar que os roubos de alta escala são um dos grandes clichés do cinema e que, por isso, vem aí mais do mesmo, embrulhado num papel festivo castelhano. A perfeição deste empreendimento é milimétrica, exigiu cinco meses de estudo intenso e uma vida de idealização.


El profesor, o líder do projeto, recruta oito ladrões de elite para levar a cabo o maior golpe monetário europeu. Proibidos de manter relações ou de partilhar informações sobre a vida privada, são atribuídos aos profissionais nomes de grandes cidades do mundo. Assim, Tóquio, Nairóbi, Moscovo, Rio, Denver, Berlim, Helsínquia e Oslo, depois de completarem a formação de cinco meses, vão de fato vermelho, armas e máscaras de Salvador Dalí tomar o edifício madrileno. Não pretendem matar ou torturar os reféns que fizerem, uma vez que um dos objetivos principais deste plano é criar uma linha ténue entre a definição de «bons» e de «maus». 


Quando entram na Casa da Moeda, formam grupos de reféns e delegam tarefas a cada um deles: uns vão imprimir e embalar dinheiro, mais precisamente 2,4 mil milhões de euros, outros vão fazer escavações para, mais tarde, facilitar a fuga dos oito assaltantes. Para que as máquinas imprimam notas de cinquenta euros que jamais poderão ser rastreadas, o roubo teria de se estender a onze dias. O tempo é, literalmente, dinheiro para El profesor e, como tal, a polícia teria de ser ludibriada vezes sem conta, ou com pistas falsas ou com pequenos mimos, até as engrenagens produzirem a última nota. 


Asseguro que a genialidade deste magno plano vos vai tirar o sono. O meu pai que o diga. As séries nunca foram a sua paixão, contudo La casa de papel fez com que ele se deitasse às duas da manhã, durante uma semana. A minha mãe agradece os roncos que ficaram por ouvir. Por outro lado, lá praticava o seu castelhano com umas tiradas como esta: «Raquel, yo soy un hombre de suerte!», enquanto dava pulos de êxtase (resultado da adrenalina) no sofá. 


A vontade do espectador é que os assaltantes, dotados de um espírito sonhador, consigam a liberdade e sejam um símbolo de Resistência contra a corrupção política, de grandes entidades ou de empresas. Apesar de roubarem uma grande quantidade de dinheiro, este não pertence a ninguém, já que foi fabricado ex nihilo. De outro modoa corrupção que assola a economia dos principais estados mundiais, tira o pão ao peixe que vai ficando cada vez mais miúdo.  



Fonte: https://i.ytimg.com/vi/cQYvQIrM1FY/maxresdefault.jpg



Escrito por Susana Ferreira. 

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