quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Produtores de autocolante natural



Fonte da imagem de base: https://images-na.ssl-images-amazon.com/images/I/51akSyYKN9L.jpg



Desde pequena que, quando chega a hora de contar dinheiro, me lembro de todos terem um preceito. Dobrar as notas a meio, colocar os dedos indicador e polegar numa posição fixa para evitar movimentos inesperados (não vá o dinheiro ganhar vida) e, com a outra mão, folhear, com veemência, o papel. Só este hábito dá logo um estilo sublime. Faz lembrar os filmes dos grandes magnatas. Não me oponho. Mas há um limite. O limite do cuspo. 

Há quem, por motivos de ter ainda mais estilo ou simplesmente para ter uma maior aderência ao papel, goste de expelir uma porção considerável de saliva no dedo para, posteriormente, poder contar (ainda com mais pujança) o seu numerário. Estava tudo bem se o dinheiro não fosse um objeto de troca e de transações sucessivas. Anda de mão em mão, de dedo em dedo e de humor aquoso em humor aquoso.

Não sei quanto tempo de vida tem uma nota, suponho que seja ilimitado. Se assim for, já pensaram por quantas serosidades passaram as notas de dez, vinte e cinquenta? Sim, porque estas são as mais afetadas. Pelo menos, para os comuns mortais. 

E quem diz as notas, diz o papel A4. A sorte é que, no meu tempo de faculdade, as senhoras da reprografia tinham uma borrachinha no dedo para causar o atrito necessário ao folhear as páginas. Todavia, já presenciei cuspidores de autocolante natural. À partida, eu não tenho qualquer grau de intimidade com o cuspidor de autocolante natural para testar o seu produto. Não quero testar. Não quero levar uma amostra do seu ADN para casa. 

Para não falar que ainda há quem cole os envelopes com a língua. Para quê? Para que a pessoa que recebe a correspondência acolha, também, uma lembrança dos fluídos corporais do seu remetente? Tendo em conta a dimensão dos acontecimentos, daqui a nada é possível fazer um diagnóstico tendo por base as amostras de saliva que os nossos remetentes fazem o obséquio de nos enviar. «Parece-me que o Joaquim anda com um problema qualquer num incisivo lateral! Ó Fernanda, vem cá dar o teu parecer!».

Bom, eu proponho que se banalize o comércio das borrachinhas (uma espécie de dedal) que as senhoras usam nas reprografias. Tanto para contar as notas, como para folhear o papel. No que diz respeito aos envelopes, creio que a tecnologia do autocolante (sintético) já foi inventada, portanto é só dar uso aos recursos que nos são outorgados. 






Escrito por Susana Ferreira.

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