segunda-feira, 21 de agosto de 2017

E o meu verão não acabou 🎶🌅

A comédia raramente consta do meu cardápio de interesses, no que diz respeito à sétima arte. Contudo, as sugestões que vos deixo prometem arrancar o sorriso mais difícil e fazer com que este final de verão seja leve e motivador. 



Fonte: http://fr.web.img4.acsta.net/r_1280_720/pictures/17/02/03/15/32/408364.jpg



A barricada que montei, estupidamente, contra os filmes franceses está a desmoronar-se. À Bras Ouverts trata a disparidade entre a sociedade francesa e a comunidade cigana rom. Jean-Etienne Fougerole é um intelectual universitário, com obras de grande relevância publicadas. O seu mais recente livro aborda a problemática da inserção da comunidade cigana no quotidiano francês. De um modo geral, Fougerole considera-se um filantropo e uma bandeira para a tolerância. As suas convicções estão prestes a ser abaladas pelo seu aqui-inimigo Clément Barzach, um condescendente radical, que julga desnecessária a integração dos ciganos. 

Em pleno debate televisivo, Barzach pergunta ao seu rival: 


- Se um grupo de ciganos fosse bater à porta da sua mansão, dava-lhes abrigo? 


Irado e com vontade de vencer o debate, Fougerole dá a sua morada e diz que está disponível para receber qualquer família que o procurar. Claro que tudo isto não passava de um artifício discursivo para alcançar o topo de vendas e para colocar Barzach num lado ainda mais negro da força. A realidade bate, literalmente, à porta de Fougerole na noite do debate. Babik e a sua família chegam de caravana e de ferro velho em punho para assentar no jardim do ativista. 

E agora? Como vai ser dividir o espaço limpo e snob com uma família cigana barulhenta e pouco asseada?

E agora? Agora, música! (Quando virem o filme vão perceber a referência.)







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Fonte: http://cdn.collider.com/wp-content/uploads/2017/07/atypical-poster.jpg



Atypical é uma série da Netflix com somente oito episódios, até à data. Apesar de o décor transportar os espectadores para 13 reasons why, afianço que o argumento não estabelece semelhanças com a magnum opus do momento da provedora. 

Sam tem 18 anos, é autista e adora a Antártida e os pinguins. Ainda que a sua condição seja um entrave, Sam não quer deixar de lado o amor. Quer poder vivê-lo como os adolescentes da sua idade e vai pesquisar o know how da coisa até à exaustão. De caneta e papel em riste, o jovem quer aproveitar todos os ensinamentos que os mais experientes têm para lhe dar. Por considerar tudo o que é dito de forma literal, Sam vai ter algumas dificuldades em atingir o seu objetivo. 

O ditado é velho: «para cada panela há um testo». A demanda do amante de pinguins vai culminar numa grande aprendizagem para a vida. 

Por vezes leve e, por outras, mais grave, Atypical retrata a vida quotidiana de uma família que já não sabe existir sem estar em alerta ou sem se desdobrar em mil cuidados. 






🐧🐧



Escrito por Susana Ferreira.

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