quinta-feira, 8 de junho de 2017

Skam

Fonte: http://fansbr.com/wp-content/uploads/2016/12/skam-1.jpg


Confesso que, por vezes, sou um pouco resistente a ver filmes ou séries que não sejam em língua inglesa. Porém, só se estranham os primeiros minutos. Depois, ficamos acostumados à fonética da língua e tudo flui naturalmente. O único senão é que já não posso fechar o olho às legendas e, muito menos, adormecer a meio de algum episódio. Por outro lado, isso faz-me ficar verdadeiramente concentrada e focada nas histórias. 

Skam ('vergonha') é uma série norueguesa que retrata a vida dos adolescentes da escola Hartvig Nissens, em Oslo. Cada temporada apresenta um protagonista diferente e aborda temas distintos, sem nunca desligar por completo das personagens que já foram principais. A série procura tratar com a máxima dignidade e exactidão a busca da identidade, os distúrbios alimentares, a orientação sexual, a religião, a violência contra as mulheres, os ambientes familiares conturbados, a crise migratória na Europa, entre outros. 

Vou iniciar, neste momento, a terceira temporada e já posso adiantar que os atores foram escolhidos a dedo. Há muito tempo que não sentia tanto respeito pelas pausas. Pode parecer descabido, mas se há coisa que me intriga no mundo do cinema e da televisão é o facto de as personagens (que, na maior parte das vezes, são uma representação do mundo real) saberem sempre o que responder ao seu interlocutor, isto é, raramente há hesitação, tempo de raciocínio ou silêncio constrangedor. Em Skam, os diálogos são muito bem arquitetados e o mais próximos possível da realidade. É notório quando uma personagem está embaraçada, frustrada, perplexa ou receosa de introduzir um assunto que pode culminar numa discussão. Por sua vez, no plano afetivo, percebi que não há medo do toque ou do ridículo. As demonstrações amorosas são verosímeis, distanciando-se das poses fabricadas com que, amiúde, somos confrontados. 

A série está na sua quarta temporada e deverá ficar por aqui. Não percam Skam de vista, até porque os episódios não são longos e, facilmente, se assiste a uma temporada num dia. Acrescento, também, que a língua norueguesa é, a meu ver, de agradável audição. 


Escrito por Susana Ferreira. 

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