sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Moonlight 🌕

Fonte: http://www.joblo.com/movie-posters/2016/moonlight#image-33780


Moonlight retrata a jornada de Chiron, um rapaz absolutamente condicionado pelo meio tóxico em que cresceu. Dividido em três partes cruciais, Little, Chiron e Black, o filme ajuda-nos a perceber a infância, a adolescência e um pouco da idade adulta deste rapaz nascido e criado numa zona de elevada criminalidade, em Miami. 



Fonte: http://www.impawards.com/2016/posters/moonlight.jpg


1. Little 🌑


Por mais que a vida passe e aconteça, há momentos em que procuramos, inconscientemente, referências de pai ou de mãe, quando não as temos em casa. A pré-adolescência de Chiron ficou marcada pelo facto de ter descoberto que a sua mãe era consumidora de drogas e que sustentava esse vício por meio de favores sexuais. Muitas vezes sozinho e sem amparo, Chiron aprendeu a baixar a cabeça e a deixar escapar, somente, duas ou três palavras durante uma conversação. 

Quando conhece Juan, o traficante de droga que atua no seu bairro, Chiron encontra o afeto e o conforto desejados. Juan leva o menino para casa, apresenta-o a Teresa, sua companheira, e alimenta-o. O casal rapidamente percebe o histórico familiar do rapazinho e abre as portas para que, sempre que este sentisse necessidade, pudesse visitá-los. 

O momento enternecedor por excelência desta relação é a cena em que Juan ensina Chiron a nadar, quase à luz da lua: a água transformou-se num símbolo de paz e de segurança para o jovem. É, também, com Juan e Teresa que Little expõe as primeiras dúvidas acerca da sua orientação sexual e da sua cor de pele. 


Fonte: http://dorkshelf.com/wordpress/wp-content/uploads//2016/09/moonlight-featured-TIFF.jpg

Fonte: https://writeoutoflacom.files.wordpress.com/2016/10/b5f9a-moonlight-2-1475508339.jpg?w=640&h=237


2. Chiron 🌗


Nos tempos de liceu, assistimos a um Chiron ainda mais reprimido. Juan morreu e, como tal, o rapaz conta, unicamente, com Teresa para ter algum dinheiro, amor e um refúgio. A mãe biológica, Paula, está numa fase de declínio, dado o uso excessivo de estupefacientes, e Chiron é, constantemente, agredido na escola. Como diz o provérbio, «Quem não se sente, não é filho de boa gente» e, assim sendo, a revolta acumulada conduz o jovem à prisão. 

Todavia, apesar de um percurso tão espinhoso, o rapaz consegue perceber a sua sexualidade e estabelecer uma relação amorosa com Kevin, um amigo de infância. (Uma vez mais, esta cena fundamental desenrolou-se sob a luz da lua.)


Fonte: https://thecattycritic.files.wordpress.com/2016/12/chironandkevin.jpg?w=700

3. Black 🌕


Na terceira e última parte do filme, vemos Black (alcunha dada por Kevin a Chiron) a seguir as pisadas de Juan, isto é, a traficar droga. Longe de ter as dificuldades financeiras de outrora, Black ostenta o chamado estilo bling-bling: carros quitados, colares e pulseiras de ouro, bem como grillz nos dentes. O aspeto físico em nada se assemelha ao da sua juventude. Atualmente, Chiron é musculado e corpulento. 

Contudo, apesar de transparecer uma figura imponente, os traços psicológicos mantêm-se. Um telefonema de Kevin (amigo que não vê desde a entrada na prisão) faz com que Chiron sinta vontade de reviver o amor adolescente. 



Fonte: http://celebnmovies247.com/wp-content/uploads/2016/11/Moonligt-1.jpg


De um modo geral, considero Moonlight uma obra forjada com muita sensibilidade e com a certeza de que seria, também, muito necessária. Julgo que este tipo de histórias são fundamentais para alargar o universo de referências do nosso imaginário, uma vez que não somos todos brancos, heterossexuais, nascidos e criados na metrópole e com um agregado familiar funcional e biparental. Num período em que os direitos humanos começam a ser ameaçados, há que relembrar que a diferença nunca poderá ser uniformizada. 




Escrito por Susana Ferreira.

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