segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Anos 20

Imbuída pelo espírito da festividade, investi no chamado fato de Carnaval. Sou admiradora das várias épocas da nossa História, mas decidi-me pelos anos 20. Estes revelaram-se marcantes no que ao estilo diz respeito e assinalaram uma certa emancipação da mulher.





A partir de 1914, altura da I Primeira Guerra Mundial, o conservadorismo que caraterizava o vestuário cedeu lugar a saias mais subidas, mais práticas para as mulheres que agora trabalhavam fora. 

Os vestidos passaram a ser decotados e às vezes sem mangas. Já os chapéus, encolheram e tomaram a forma de sino. O perfil ideal coincidia com a figura amolgada, devido ao modelo dos vestidos, e com pernas longas e finas.


Escrito por Mariana Pinto

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

City of Stars ⭐


A banda sonora de La La Land tem estado em loop na minha cabeça, por isso decidi fazer uma pequena versão da City of Stars, interpretada pelos atores Ryan Gosling e Emma Stone. Espero que gostem. 


⭐🌟⭐




Susana Ferreira. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Os protagonistas da sétima arte


Fonte: http://goldwallpapers.com/uploads/posts/the-oscars-wallpapers/the_oscars_wallpapers_003.jpg


Psicopatas, transexuais, assassinas e perturbadas, assim se afiguram as personagens que atribuíram a cada dos que se seguem o Óscar de melhor atriz e o Óscar de melhor ator. Despindo-se de si, eles transfiguram-se física e psicologicamente, de maneira a desempenhar o papel. 




The Oscar for best actress goes to 

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No filme Blue Sky (pt. Céu Azul), Jessica Lange é Carly, uma mulher incrivelmente infantil e sedutora. Quando o General Vance tenta silenciar o marido, de modo a ocultar o real propósito dos testes nucleares realizados na base Matthews, Carly usa todos os meios para o resgatar. 




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De Monster (pt. Monstro) chega-nos a história verídica de Aileen Wuornos, interpretada por Charlize Theron. Aileen, uma ex-prostituta, que segundo a sua versão, assassinou sete homens em legítima defesa. 





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Em Blind Side (pt. Um Sonho Possível), a protagonista, Sandra Bullock, representa a verdadeira mãe, capaz de tudo para integrar e formar o rapaz perdido a quem deu casa, estudos e ensinou a ultrapassar preconceitos e acreditar no seu valor. 





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Black Swan (pt. Cisne Negro) traz-nos uma bailarina obcecada pela perfeição. Natalie Portman veste-lhe a pele e apresenta a compulsividade que tolhe o ser humano e que encontra libertação numa sexualidade outrora reprimida. 





The Oscar for best actor goes to


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No filme The Silence of the Lambs (pt. O Silêncio dos Inocentes), o assassino Hannibal Lecter terminava os seus crimes realizando canibalismo com as suas vítimas. Um psicopata tão caricato como ele aparece em cena e a detetive Clarice Starling precisa da ajuda de Lecter, interpretado por Anthony Hopkins, para descobrir a sua identidade, bem como as suas motivações. 





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Em La vitta è bella (pt. A vida é bela), Guido é mais um judeu enviado para um campo de concentração em plena II Guerra Mundial. A personagem de Roberto Benigni cumpre a exemplar tarefa de esconder o filho, fazendo-o crer que tudo o que vivem ali não passa de um jogo. 




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Capote (pt. Capote) conta o percurso de vida do escritor Truman Capote, interpretado por Philip Seymour Hoffman, particularmente a sua investigação sobre o assassinato de alguns moradores da cidade de Kansas. A mesma que deu origem à sua obra-prima A Sangue Frio




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(Dado o gosto pessoal, abriu-se uma exceção. O ator ganhou o Óscar de melhor ator secundário.)

No filme Dallas Buyers Club (pt. O Clube de Dallas), Jared Leto é Rayon, um transexual. Ele desenvolve uma forte ligação de amizade com o protagonista e ambos lutam para que os doentes terminais de Sida tenham acesso a medicamentos ilegais. 



Escrito por Mariana Pinto

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Moonlight 🌕

Fonte: http://www.joblo.com/movie-posters/2016/moonlight#image-33780


Moonlight retrata a jornada de Chiron, um rapaz absolutamente condicionado pelo meio tóxico em que cresceu. Dividido em três partes cruciais, Little, Chiron e Black, o filme ajuda-nos a perceber a infância, a adolescência e um pouco da idade adulta deste rapaz nascido e criado numa zona de elevada criminalidade, em Miami. 



Fonte: http://www.impawards.com/2016/posters/moonlight.jpg


1. Little 🌑


Por mais que a vida passe e aconteça, há momentos em que procuramos, inconscientemente, referências de pai ou de mãe, quando não as temos em casa. A pré-adolescência de Chiron ficou marcada pelo facto de ter descoberto que a sua mãe era consumidora de drogas e que sustentava esse vício por meio de favores sexuais. Muitas vezes sozinho e sem amparo, Chiron aprendeu a baixar a cabeça e a deixar escapar, somente, duas ou três palavras durante uma conversação. 

Quando conhece Juan, o traficante de droga que atua no seu bairro, Chiron encontra o afeto e o conforto desejados. Juan leva o menino para casa, apresenta-o a Teresa, sua companheira, e alimenta-o. O casal rapidamente percebe o histórico familiar do rapazinho e abre as portas para que, sempre que este sentisse necessidade, pudesse visitá-los. 

O momento enternecedor por excelência desta relação é a cena em que Juan ensina Chiron a nadar, quase à luz da lua: a água transformou-se num símbolo de paz e de segurança para o jovem. É, também, com Juan e Teresa que Little expõe as primeiras dúvidas acerca da sua orientação sexual e da sua cor de pele. 


Fonte: http://dorkshelf.com/wordpress/wp-content/uploads//2016/09/moonlight-featured-TIFF.jpg

Fonte: https://writeoutoflacom.files.wordpress.com/2016/10/b5f9a-moonlight-2-1475508339.jpg?w=640&h=237


2. Chiron 🌗


Nos tempos de liceu, assistimos a um Chiron ainda mais reprimido. Juan morreu e, como tal, o rapaz conta, unicamente, com Teresa para ter algum dinheiro, amor e um refúgio. A mãe biológica, Paula, está numa fase de declínio, dado o uso excessivo de estupefacientes, e Chiron é, constantemente, agredido na escola. Como diz o provérbio, «Quem não se sente, não é filho de boa gente» e, assim sendo, a revolta acumulada conduz o jovem à prisão. 

Todavia, apesar de um percurso tão espinhoso, o rapaz consegue perceber a sua sexualidade e estabelecer uma relação amorosa com Kevin, um amigo de infância. (Uma vez mais, esta cena fundamental desenrolou-se sob a luz da lua.)


Fonte: https://thecattycritic.files.wordpress.com/2016/12/chironandkevin.jpg?w=700

3. Black 🌕


Na terceira e última parte do filme, vemos Black (alcunha dada por Kevin a Chiron) a seguir as pisadas de Juan, isto é, a traficar droga. Longe de ter as dificuldades financeiras de outrora, Black ostenta o chamado estilo bling-bling: carros quitados, colares e pulseiras de ouro, bem como grillz nos dentes. O aspeto físico em nada se assemelha ao da sua juventude. Atualmente, Chiron é musculado e corpulento. 

Contudo, apesar de transparecer uma figura imponente, os traços psicológicos mantêm-se. Um telefonema de Kevin (amigo que não vê desde a entrada na prisão) faz com que Chiron sinta vontade de reviver o amor adolescente. 



Fonte: http://celebnmovies247.com/wp-content/uploads/2016/11/Moonligt-1.jpg


De um modo geral, considero Moonlight uma obra forjada com muita sensibilidade e com a certeza de que seria, também, muito necessária. Julgo que este tipo de histórias são fundamentais para alargar o universo de referências do nosso imaginário, uma vez que não somos todos brancos, heterossexuais, nascidos e criados na metrópole e com um agregado familiar funcional e biparental. Num período em que os direitos humanos começam a ser ameaçados, há que relembrar que a diferença nunca poderá ser uniformizada. 




Escrito por Susana Ferreira.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

«Jackie»

Fonte: https://i2.wp.com/teaser-trailer.com/wp-content/uploads/Jackie.jpg?ssl=1





  Jaqueline Kennedy cede uma entrevista a Theodore White, da revista Life, uma semana depois do assassinato de John Kennedy. Através dela percebemos a sua trajetória enquanto primeira dama dos Estados Unidos da América. 

  Tentando sempre mostrar-se no seu melhor como esposa do Presidente, nunca se sentiu plena ao lado dele. Ela própria refere que nunca procurou a fama, até ao momento em que se tornou uma Kennedy. O povo tinha de ver nela um exemplo de simpatia, modéstia e cônjuge perfeita, e Jackie soube desempenhar bem este papel.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/ra/mega/Pub/GP/p4/2017/01/26/CadernoG/Imagens/Cortadas/film-hornaday-f76b5b48-bcbd-11e6-91ee-1adddfe36cbe-kQlD-U201485917606ivB-1024x576@GP-Web.jpg


Dei alguns passos, vi um carro com uma bandeira e lembrei-me que Kennedy viria à cidade naquele dia. Neste momento ouvi o barulho de um tiro. Depois houve uma pausa e em seguida dois tiros, e algo raspou a minha bochecha direita. Um polícia de mota parou perto da relva e duas cabeças falavam com ele. Eu cheguei no momento em que um homem dizia: 'A cabeça explodiu, a cabeça explodiu.´. ´A cabeça de quem?, perguntou o polícia. ´Do presidente.'. 
[Consultado em 07/02/2017]
  
  
  No momento da grande tragédia, Jackie acaba por confidenciar que podia ter salvado o marido, caso percebesse que se tratavam de tiros, e tentou fazê-lo posteriormente, mas em vão. 


  A partir daqui, o pano cai e a Mrs. Kennedy vê-se desamparada. Ela percebe nos que a rodeiam atitudes de quem previa a queda de John Kennedy. 


Fonte: http://www.planocritico.com/wp-content/uploads/2017/01/jackie_2016_plano_critico-600x400.jpg


  Aquela que ensaiou sorrisos e gestos, vê-se agora hesitante na maneira como explicar aos filhos a ausência do pai e na forma como preparar um funeral digno do presidente da Estados Unidos da América. 


 Acaba por conceder-lhe, nas palavras do próprio jornalista que a entrevista, um dos maiores espetáculos que o mundo já viu. 

Fonte: https://cinematographecinemafilmes.files.wordpress.com/2017/02/jackie-filme-9.jpg?w=600&h=355

Fonte: https://cinematographecinemafilmes.files.wordpress.com/2017/02/jackie-filme-9.jpg?w=600&h=355


  

  Um grande louvor que serviu para homenagear nem mais nem menos do que ela própria. Perdoá-la-emos pelo autoelogio, sendo que foi a responsável pela elevação de John Kennedy a um estatuto quase mítico ao fazer referência ao musical preferido do marido, Camelot*, e comparando ao lendário Rei Artur.

- Agora ele é uma lenda, quando ele só queria ser um homem.


*cidade e castelo lendário, sede da corte do rei Artur nas histórias medievais associadas ao Ciclo Arturiano da Matéria de Bretanha. 
  

Escrito por Mariana Pinto

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Aqui há gato 🐱🐈

Fonte: https://images-na.ssl-images amazon.com/images/M/MV5BZjg2YzJlZDAtZjY0MS00NzQwLTg3NDEtMjcwZjczMDMyNTRkXkEyXkFqcGdeQXVyMjA4OTUzODI@._V1_.jpg


🐈


Os gatos são criaturas extremamente inteligentes e fiéis. Apesar de senhores do seu nariz, conseguem salvar vidas. O filme A Street Cat Named Bob é a prova (felpuda) disso mesmo. 

James Bowen é um jovem toxicodependente e sem abrigo. Vive com uns trocos no bolso, uma guitarra às costas, um capuz sobre a cabeça e uma mochila com alguns bens essenciais. Durante o dia, toca pelas ruas. De alguma forma, enquanto o sol está alto, a música suprime as suas angústias. 

Contudo, quando cai a escuridão, cai, irreversivelmente, a tristeza. Na esquina que escolhe para pernoitar, James oscila entre a cocaína e a heroína.

Depois de quase ter sofrido de overdose, James sente-se encorajado para entrar num programa de desintoxicação. Uma vez no projeto, os autopropostos recebem um teto e alguma comida para iniciarem a sua jornada.

Ainda a conhecer os cantos do seu novo refúgio, o guitarrista depara-se com uma visita inesperada: Bob, o gato que vinha com a missão de o salvar. James começa por acarinhar o inquilino ruivo, mas nunca se compromete a adotá-lo. O que é certo é que Bob vai ficando e insiste em acompanhar os passos daquele que escolheu para dono.

Com a ajuda de Betty, uma ativista que habita no mesmo prédio, Bowen consegue atendimento veterinário para Bob e tudo parece a tornar-se mais definitivo. Bob consegue mesmo ficar com James!! O carinho que une os dois companheiros é notório. Para James, Bob é a sua nova adição.

Às costas do dono eleito, o gato laranja faz furor pelas avenidas de Londres. Os turistas atiram gorjetas e desejam levar para casa uma selfie com as estrelas! Finalmente, a vida entra nos eixos para estes gatos de rua.


Fonte: http://cdn.bigissue.com/sites/bigissue/files/1/82/luke_treadaway_james_bob._a_street_cat_named_bob._hackney._photo_by_andreas_lambis_0.jpg

Tudo ia bem, até James perder a licença que o permitia tocar na avenida. O dinheiro escasseia e a fome aperta. A tentação de voltar a consumir é grande, porém o guitarrista decide iniciar o processo de desmame e limpar, definitivamente, o organismo.

É uma etapa muito dolorosa que Bob acompanha ao minuto. Nunca abandona o seu dono, assistindo às dores, às tremuras e às lágrimas compulsivas.

Findado o momento dramático, surge a oportunidade de escrever um livro acerca das aventuras que James viveu com o felino. A fama que ambos tinham na Internet, favoreceu o aparecimento deste convite por parte de uma editora.

A economia cresce e, para além de escritores, os fiéis companheiros tornaram-se ativistas, apoiando os direitos dos animais e dos sem abrigo.

A verdade é que o filme é uma biografia do próprio autor e artista de rua James Bowen. Ainda hoje, o gato Bob se desloca às cavalitas do dono.


Fonte: https://images.indiegogo.com/file_attachments/1260799/files/20150302021621-James-Bowen-Street-Cat-Bob.png?1425291381


Fonte: http://i.dailymail.co.uk/i/pix/2012/11/04/article-2227639-124060C8000005DC-508_634x445.jpg

 🐱🐈

Escrito por Susana Ferreira.