quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Fui ao Douro às Vindimas


Com o outono à porta, o dia madruga e veem-se aglomerados de pessoas que, previamente rogadas*, se instalam nas carrinhas rumo à Vindima. 

*rogar: pedir com humildade e de forma insistente.



Fonte: http://cdn.olhares.pt/client/files/foto/big/413/4137317.jpg


Por volta das 06:00/6:30 h, é altura de "matar o bicho", que é como quem diz, tomar a primeira refeição do dia, ainda antes do pequeno-almoço. 

Começa o trabalho, uns cortam as uvas (um grupo por cada valado) e outros carregam os balções até às tinas onde são depositadas as uvas.


Fonte: http://dourovalley.eu/Multimedia/37/47/36.A.%20Vindimar%20no%20Douro_1024x768.jpg



Fonte: http://dourovalley.eu/Multimedia/33/47/24.C.%20Vindimas%20no%20Douro%20Vinhateiro_1024x768.jpg


A manhã vai já adiantada, e os trabalhores fazem uma pausa para o pequeno-almoço. Enquanto se come, estendem-se as conversas interrompidas pelo corte dos cachos, não são mais do que as polémicas da terra. 

A labora continua, agora mais ávida porque o estomâgo está restabelecido e para gáudio de todos, o sol instalou-se. 

O relógio marca a metade do dia e o grupo reúne-se para o almoço. Mais do mesmo, entre o pão e as costeletas, prosa e algumas paródias à mistura. 

Abriga-se a famosa preguiça depois, mas não há desculpas, todos regressam às suas tarefas. 


Fonte: http://dourovalley.eu/Multimedia/8/47/Grupo%20de%20vindimas_1024x768.jpg


Sem hiatos*, o trabalho avança até meio da tarde. Lassos*, arrumam baldes e tesouras e seguem "enlatados" na carrinha que os devolve a casa. As tinas estão cheias e prontas a ir para os lagares. 

*hiato: intervalo
*lasso: cansado



A atividade repete-se por um mês ou mais, dependendo da extensão da propriedade. 

Mesmo após um banho, resta o caraterístico cheiro a uvas e o sentido cansaço de quem se entrega a um dia de Vindima. 


Fonte: http://dourovalley.eu/Multimedia/57/47/177.A.%20A%20esperan%c3%a7a%20no%20futuro_1024x768.JPG



Escrito por Mariana Pinto

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