quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Entrevista: O Artista e sua Arte

Na semana da arte, o Vinicius Silva, muito gentilmente, concedeu-nos uma entrevista. Nela deu-nos a conhecer o percurso até à sua afirmação como ator, bem como o projeto em que está atualmente envolvido. Aproveitámos ainda para saber a sua opinião sobre a persistência na carreira artística.



CSD - Antes de mais, muito obrigada por teres aceitado o nosso convite.

Vinicius - Eu é que agradeço pelo convite. É um privilégio pessoal poder falar e partilhar sobre a minha profissão.


CSD - Conta-nos, quando é que soubeste que a representação era, inevitavelmente, a carreira que tinhas de seguir?

Vinicius - Sem dúvida na Escola Profissional (Escola Profissional de Desenvolvimento Rural do Rodo). Apesar de ter entrado em Apoio Psicossocial, foi nas disciplinas de Expressão (dramática e corporal) que comecei a fazer teatro amador e a escrever.


CSD - Como investiste nela, ou seja, qual foi a formação que tiveste?

Vinicius - Após a Escola Profissional, espontaneamente, optei por um CET (Curso de Especialização Tecnológica) em Bragança. Durante um ano no curso de Produção nas Artes do Espetáculo, pude explorar mais o teatro e ter acesso a mais conhecimento e ferramentas.


CSD - Depois disso, em que projetos pudeste desenvolver a técnica, digamos assim?

Vinicius - Fiz um estágio profissional em S. João da Pesqueira, onde nasci e morava na altura. Num grupo de teatro designado "Pesqueira em Palco", pertencente ao Centro de Animação Sociocultural e Teatro de S. João da Pesqueira (CAST), fiz teatro de palco e teatro infantil. Depois disso, entrei na Viv´Arte e tive oportunidade de experimentar expressão corporal, teatro de rua, técnica de clown, malabarismo, entre outras vertentes, nas quais testei o meu potencial para a representação.


CSD - Como foi a entrada na Companhia de Teatro Viv´Arte?

Vinicius - Depois de ter concluído os estudos em Bragança, inscrevi-me no Centro de Emprego. Inicialmente fiz telefonemas e enviei currículos, mas não tive sucesso. Passei assim cinco meses à procura de um estágio remunerado. Eventualmente, pedi ao meu irmão mais velho se seria possível marcar-me uma entrevista. Mais uma vez, enviei por e-mail o meu currículo personalizado, juntamente com uma carta de motivação. Não optei pelo CV modelo Europass, que é algo que eu aconselho fazer. Consegui a entrevista, sobrevivi, passei na minha primeira entrevista profissional e, uma semana depois entrei na Viv´Arte.


CSD - Explica-nos um pouco o conceito do projeto.

Vinicius - A Viv´Arte é uma Companhia de Teatro especializado em recriação histórica, ou seja, é uma fusão entre o teatro e a recriação histórica. No caso, fazemos recriações desde o período Neolítico até ao 25 de abril. Maioritariamente realizamos teatro de rua, porque os nossos trabalhos são feiras romanas, feiras medievais, feiras quinhentistas e também seiscentistas, setecentistas e oitocentistas. E temos vertentes em teatro, esgrima artística, artes circenses, teatro infantil, teatro de palco e animação sociocultural.


CSD - E quais são ainda as tuas ambições, onde esperas estar no futuro?

Vinicius - Hoje em dia não me preocupo tanto com o que vou fazer ou onde vou estar daqui a cinco ou dez anos. Tento esforçar-me e dedicar-me muito naquilo que faço. Pretendo fazê-lo durante o máximo de tempo que conseguir e enquanto a Companhia o permitir.


CSD - Por fim, tendo em conta a nossa realidade, por que motivos não se deve substituir a vocação de ator?

Vinicius - Eu penso que fazer aquilo que se gosta é um privilégio enorme todos os dias, e nem todos o têm. E se eu o estou a fazer, é porque me esforcei bastante. Traduziu-se num longo caminho e é algo em queu tenho a certeza que tenho muito mérito. Quando fazemos algo que apreciamos e somos realmente bons, não faz sentido não lutar por isso. Felizmente, posso afirmar que estou onde quero e a minha profissão me faz feliz pessoal e profissionalmente.


Festival das Novas Invasões, Torres Vedras, 2015




Festival das Novas Invasões, Torres Vedras, 2015




Festival Pirata de Buarcos, Figueira da Foz, 2015




Feira Medieval de Silves, 2015




Batalha da Redinha - Invasões Francesas, Pombal, 2016




Recriação da Batalha dos Atoleiros, Fronteira, Portalegre, 2016




Feira Quinhentista de Machico, Madeira, 2016




Festival Pirata de Olhão, 2016










Uma entrevista CSD

Entrevistadora: Mariana Pinto
Entrevistado: Vinicius Silva

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