quarta-feira, 1 de junho de 2016

É música portuguesa, com certeza!

*portuguesa: envolve o Português Europeu e o Português do Brasil, já que duas das músicas apresentadas pertencem a um cantor brasileiro. 




- Esta é dedicada a todos vocês! Vejam lá se conhecem: Que-ro chei-rar teu...


Não é por acaso que as chamadas músicas pimba nos ficam na memória após a primeira audição. As letras são escritas de modo a resultarem numa composição fluída e acessível. 

Além destas caraterísticas, gostaria de apontar uma outra. As canções populares portuguesas revelam-se exemplos fiéis de espontaneidade. Não se tentam embrulhar versos em metáforas rebuscadas, o «Eu», cantor, não tenta tornar as suas emoções em algo extraordinariamente belo quando compõe. Os sujeitos sentem e reproduzem esses sentimentos no momento imediatamente a seguir. E mais, ao seu modo, eles refletem experiências de todos nós.


Ora analisemos alguns excertos ilustrativos:






«Saiba que o meu grande amor hoje vai-se casar
Mandou uma carta para me avisar
Deixou em pedaços o meu coração
E para matar a tristeza
Só a mesa de bar
Quero tomar todas
Vou-me embriagar
Se eu pegar no sono
Me deite no chão.» 
(Refrão da música Garçon, Marante 




Nesta composição, o «Eu» dirige-se ao garçon do bar onde se encontra. Ele conta-lhe a sua história de amor, referindo que ela será igual a mil e uma outras que o empregado já ouviu. 
Mesmo assim, o «Eu» avança com o seu relato. Em primeiro lugar, diz que a mulher que ama vai casar-se naquele dia, e enviou-lhe uma carta para lhe dar a conhecer o sucedido. Perante este desgosto, está ele agora naquela mesa de bar, pronto a tomar todas as bebidas que suportar para esquecer a desilusão. 
A quantidade de álcool concretizará o inevitável, sem hesitar, o «Eu» anuncia: "Vou-me embriagar". Esta é a sua intenção e nada o deterá. E segue, alertando o garçon: "Olhe lá, vou-me embriagar, então se fizer o favor, caso me dê o sono, deite-me aí no chão".




«Alma Rebelde,
Rebelde, Rebelde 
Não sejas cruel, 
Alma Rebelde
Rebelde, Rebelde,
Escuta o qu´eu te digo,  
Eu não te posso prender
Mas se quiseres aprender
Fica comigo esta noite,
Aqui comigo.» 
(Refrão da música Alma Rebelde, José Alberto Reis




O «Sujeito» suplica à amada para que não o deixe naquela noite. Ele indica que a mulher só não o faz por capricho. 
O «Eu» sabe que este é o início da despedida, a amada partirá. Assim, volta a suplicar que fique, pois ela é a única por quem tem interesse. 
Porém, o «Sujeito» sabe que não há volta e que não a poderá tornar cativa. Assim, incita aquela criatura rebelde com algo. A proposta é que se ela ficar, pelo menos, aquela noite, o «Eu» ensinar-lhe algo. Uma proposta indecente? "Tu que és rebelde, fica que não te vais arrepender". 


  

«Você não tem um pingo de vergonha
E todo o homem sonha, ter alguém assim
Realizando minhas fantasias
Taras e manias, você vem para mim
Uma lady na mesa
Uma louca na cama
Na maior safadeza, você diz que me ama
E na minha cabeça, desvario e loucura
Quando você começa, ninguém mais a segura.» 

(Excerto da música Taras e Manias, Marco Paulo


Num tom sedutor, o «Sujeito» repreende a "menina" com ar desenvergonhado. Ela corresponde ao ideal de todos os homens, comportando-se como uma senhora de família em convívio e uma mulher atrevida na intimidade.
O «Eu» mostra-se um indivíduo plenamente contente com a companheira , que o satisfaz a todos os níveis. O comentário de um amigo à descrição desta mulher seria (e continuando a utilizar o idioma da música): "Eita, essa mulher é fogo!"


  

«Maldita tu, Ana Maria
Tu só tu
Ana Maria
Sim
Ana Maria


E bem te rias e fingias,
E dizias ser feliz comigo
Que parvo fui eu
Não entendo como não vi
Quem me pudesse gozar
Pelo meu modo de amar.»

(Excerto da música Ana Maria, Trio Odemira




O «Eu» apresenta-se enfurecido e até tolo por ter acreditado que a "Ana Maria" pudesse amá-lo.
Só mais tarde, o «Sujeito» se apercebeu que era apenas motivo de paródia para ela, que se divertia com este amor unilateral. 
Um canto de revolta espontâneo, ao qual, solidários, deveríamos responder:
"Estamos contigo/Amigo/Não te deixes vacilar/Essa Ana Maria/Um dia há de as pagar".



E com esta me vou! "Adeus, até um dia, pode ser que nos voltemos a encontrar..."


Fontes das imagens: http://cdn5.colorir.com/desenhos/color/201121/cbe14451a43ee1cfbeef703fa31c878b.png; http://data.whicdn.com/images/14177817/large.jpg;
https://avidaemzi.files.wordpress.com/2013/11/3_meses_amor.png



Escrito por Mariana Pinto

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