terça-feira, 28 de junho de 2016

A melhor comédia que não andas a ver: “Broad City”

Fonte: http://www.mytakeontv.com/wp-content/uploads/2014/12/broad-city-season-1-dvd-cover-90.jpg


Antes de mais, permitam que me apresente. O meu nome é Mafalda Neto e faço desde 2011 parte do blogue dedicado a séries de televisão TVDependente (que podem visitar em: www.tvdependente.net).

Quando me convidaram para escrever um texto aqui para o blogue sobre uma série que ainda não se tivesse falado por cá, a minha mente viajou logo para a minha comédia favorita que ninguém vê: “Broad City”.

Comecemos pelo início. “Broad City” é o produto da imaginação de Abbi Jacobson e Ilana Glazer, que se conheceram no afamado Upright Citizens Brigade Theatre, uma escola de teatro de improviso fundada por, entre outros, Amy Poehler. E tudo começou com uma webseries estreada em 2009 e disponível no Youtube, que rapidamente começou a ganhar fãs e popularidade até chegar à atenção de Poehler, que viu o seu potencial e ajudou as meninas a trazer o projecto para o pequeno ecrã.

E se a webseries já era boa (podem ver em: https://www.youtube.com/user/BroadCity), a série conseguiu transportar os elementos que fizeram dela um sucesso para o formato de meia hora de forma exímia e que honra os fãs mais antigos.

Mas o que é “Broad City”? Numa explicação demasiado simplista é a história de duas raparigas nos seus vinte e poucos anos, saídas da faculdade, que procuram entrar no mercado de trabalho e conseguir pagar a renda em Nova Iorque. Até aqui nada de extraordinário. O que torna a série tão boa é a amizade que une Ilana e Abbi e a completa falta de pudores em tudo o que fazem e dizem.

Arrisco dizer que não há, nem houve, uma amizade igual a esta na televisão. Ok, também pode não ser das mais saudáveis, vista a hilariante obsessão de Ilana por Abbi, mas as duas não se chateiam, apesar de nem sempre concordarem, não estão sempre a falar de homens (é raro, até), ficam genuinamente contentes pelos sucessos uma da outra e quando estão juntas apenas se divertem, sem tudo ter de ser um drama ou uma tragédia. E isso é o que diferencia a série de outra série com uma premissa semelhante: “Girls”. Atenção, eu adoro “Girls” e tudo o que Lena Dunham faz, mas enquanto “Girls” tem o problema de exagerar no drama e ser difícil gostar das personagens, em “Broad City” ao primeiro episódio já nos apaixonámos pela awkwardness de Abbi ou pelas excentricidades de Ilana.

Desde a religião (as duas são judias), passando pela homofobia, morte, feminismo, sexo, política, erva ou família em três temporadas já vimos Ilana e Abbi falarem e fazerem de quase tudo, guiadas pelo bom coração que as move e pela capacidade de improviso que o pessoal nascido nos anos 90 é forçado a ter para poder sobreviver sem a ajuda dos papás.

Mas esta não é uma série só para millenials, pois o humor é universal e vamos desde o humor mais físico, ao mais intelectual, passando pelo ridículo e pelo exagerado. Muito menos é uma série só para raparigas (ui, essas etiquetas...), porque, reforço, o humor é mesmo universal e não há nada que Ilana e Abbi não façam por serem raparigas. A sério, literalmente nada e, se não acreditam, vejam o episódio “Knockoffs”.



Fonte: http://i0.wp.com/www.theradicalnotion.com/wp-content/uploads/2016/03/1-1.gif



Transmitida pelo Comedy Central, nos EUA a série já gerou alguma atenção dos críticos e do público, tendo já garantidas uma quarta e quinta temporadas para juntar às três com que já nos presenteou. Prova disso é a participação especial de Hillary Clinton, a candidata democrata à Casa Branca, publicamente apoiada por Glazer e Jacobson, que se junta a uma impressionante lista de convidados especiais. Infelizmente em Portugal é raro encontrar alguém que veja, ou sequer conheça a série, mas se depois deste texto conseguir convencer uma pessoa que seja a ir espreitar já ganhei o dia.

Por último, resta-me agradecer o convite e desejar as maiores felicidades às meninas do Canto Superior Direito, é sempre um prazer ver que ainda há espaço para novos blogues nacionais com qualidade e pertinência!


Escrito por Mafalda Neto. 

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