sexta-feira, 6 de maio de 2016

Quanto custa ter uma memória de elefante?

Fonte: http://s3.amazonaws.com/auteurs_production/images/film/black-mirror-the-entire-history-of-you/w1280/black-mirror-the-entire-history-of-you.jpg


E se...
>> Tivessem um dispositivo que vos permitisse ter acesso a todas as vossas memórias? 

>> Tivessem um dispositivo que vos permitisse revisitar, analisar e dissecar os momentos (que bem entendessem) do vosso passado?

>> Tivessem um dispositivo que grava e arquiva todos os segundos da vossa vida e que vos confronta com todas as vossas atitudes (uma espécie de Big Brother individual e da vida quotidiana)?


Fonte: http://www.mundobla.com/wp-content/uploads/2015/03/Black-Mirror.-The-Entire-History-of-You-In-Memoriam.-Tu-historia-completa.-Viendo-el-interfaz-de-usuario..jpg


Cool? Não me parece!


Ainda só assisti ao episódio 1x03 («The Entire History Of You») da serie Black Mirror, maaaaaaaas este episódio valeu por mil. Houve momentos em que fiquei assim: 


Fonte: https://45.media.tumblr.com/2659d95c18f9c2cde5d5d13d196bd115/tumblr_o1j5puJrql1smqfiko1_500.gif

Bom, vamos começar pelo princípio. A série tem cerca de três episódios por temporada (até agora, é composta por duas temporadas e por um especial de Natal), que não dependem uns dos outros, no que diz respeito à narrativa. Cada capítulo trata, portanto, uma história em particular, com um leque de atores distinto do anterior. 

De um modo geral, a série aborda as consequências de habitarmos uma sociedade entregue ao mundo tecnológico ou, por outras palavras, o impacto que a sobreutilização da tecnologia pode ter nas nossas vidas. 

No que concerne ao episódio 03, o epetador é catapultado para uma realidade não muito distante da que está habituado. No entanto, sabendo que a tecnologia evolui a galope, é o suficiente para que este se depare com uma sociedade completamente reconfigurada. Vamos imaginar que dentro de cinco anos, ou talvez menos, todos nós somos portadores de um implante, alojado (mais ou menos) atrás da nossa orelha, que nos permite ter acesso a T-O-D-O-S os momentos da nossa vida, de forma pormenorizada e, se desejarem, em replay. 


Ter acesso a todos os momentos? Como assim? 


Basicamente, o implante permite que o vosso quotidiano seja TOTALMENTE gravado através dos vossos olhos. Quando chegam a casa podem reviver o vosso dia, de forma sossegada, no sofá, com uma mantinha. Porém, não pensem que esta inovação está habilitada a mostrar só o vosso presente. Se quiserem ver como foi o dia 06 de maio de 2010, estão à vontade. Creepy? Muito!


Fonte: http://media.yourdailymedia.com/4/83768517.gif

Liam Foxwell, um jovem advogado, padece de um mal típico de pessoas ansiosas: overthinking!(Como eu o entendo!) Liam desconfia que a sua esposa, Ffion, o trai e que a filha que têm em conjunto não é, efetivamente, sua filha. Este tipo de desconfiança é um lugar-comum, todavia pode levar qualquer ''santo'' à loucura e à obsessão. Através do seu dispositivo e do dispositivo de Ffion, Liam consegue confirmar as suas suspeitas. Depois de dissecar exaustivamente (redundância propositada) fragmentos do passado de ambos, o advogado descobre que a vida que leva é uma mentira.


Fonte: http://www.wired.com/wp-content/uploads/2015/02/black-mirror-ft.jpg

O que acontece depois? Têm de ver!! O que me fascinou neste episódio foi, sobretudo, ver como uma sociedade se reorganiza face a uma inovação tecnológica. Destaco 3 coisas que me surpreenderam (pela negativa):

1. O sistema policial. O conceito de polícia que temos deixa de vigorar. Caso a polícia queira investigar alguém, basta ''vasculhar'' as memórias dos últimos 30 dias, por exemplo. Se entendi bem, na série, as memórias de cada cidadão são ''revistadas'' todos os dias.

2. Intimidade ou privacidade deixam de fazer sentido.

3. Desenvolvimento rápido e gratuito de obsessões, transtornos, entre outros.

4. O sexo. Durante a relação sexual, o casal Liam e Ffion aciona o dispositivo. Assim, alcançam a excitação desejável enquanto revisitam momentos lascivos do passado. *PÂNICO*



Desculpem, mas tenho de ser gráfica neste tópico, tenho de pôr uma foto da cena! 



Fonte da imagem de base: http://3.bp.blogspot.com/-RSP8I60HMn0/T3osa8cZh-I/AAAAAAAABIs/ZSBPRu52POE/s1600/Black.Mirror.entire.history.jpg


5. Em suma, perde-se completamente a humanidade.



Mas... Sabem o que é o pior disto tudo?? Está a acontecer!



A Sony está a desenvolver lentes de contacto que, sucintamente, oferecem este tipo de serviço! 



Eu não quero ser um «Humano do Futuro» e vocês? 

Acham que há limites para a inovação tecnológica? 


Qual é a vossa opinião?



Escrito por Susana Ferreira.

3 comentários:

  1. O que é interessante acerca deste episódio é que eu comecei por pensar "adorava ter uma coisas destas, dava um jeitão para resolver discussões e lembrar coisas que não nos lembramos bem, ou momentos do passado mais longínquo" para "que horror, como uma coisa tão boa à partida pode tornar-se perversa tão rapidamente". É essa a grande virtude deste episódio, que para mim nem é o melhor da série.

    Anyway vou puxar a brasa à minha sardinha e convidar-vos a passar aqui para ler as belas críticas que o meu colega escreveu à série: http://tvdependente.net/category/criticas/black-mirror/

    "Black Mirror" é uma série espantosa e o melhor é que a Netflix vai trazê-la de volta já este ano :)

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    1. É verdade! Nunca tinha pensado como uma coisa que parece tão ''inofensiva'' pode ser uma verdadeira catástrofe! Fiquei a desejar que ninguém conseguisse inventar aquela espécie de implante!

      De facto, comecei a ver por ''brincadeira'' mas vou, certamente, ver os restantes episódios.

      Vou ler com certeza! Parabéns pelo vosso trabalho :)

      Obrigada pelo teu comentário :)

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    2. E valem todos a pena, não há um mau episódio!
      Obrigada em nome da equipa :)

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