quarta-feira, 25 de maio de 2016

Dançar na corda bamba

(Após o habitual discurso inicial, uma das pessoas da roda levanta-se pronta a dar o seu testemunho.)







- Olá, eu sou a Mariana!

Todos: Olá Mariana!

Mariana: Bem, hoje estou aqui convosco, para partilhar a minha experiência dentro do problema comum a todos os que aqui estão, a ansiedade. 
Penso que se este estado se pudesse traduzir em graus, eu inserir-me-ia no mais grave. 
No dia a dia, faço um valente esforço para me manter tranquila e pensar: - Calma, hoje não tens nenhuma ação importante que precises de realizar. Desfruta do dia! 
Pois é, porque quando tenho de executar qualquer tipo de atividade que exija responsabilidade da minha parte, é o caos. E não, não me pedem que descubra a cura para alguma doença, que resolva um exame nacional de Matemática. Não passam de ações simples, mas que me deixam sempre tão receosa!

O que sinto antes de executar cada uma é decerto o que muitos de vós sentem. Em primeiro lugar, na noite anterior a realizar as ditas actividades, eu simplesmente não durmo. A agitação incontrolável que sinto, não me deixa descansar. E depois, é claro, imagino mil e uma coisas que podem condicionar o derradeiro momento: - Oh, meu Deus, e se na altura cai um elefante do céu?; E se, de repente, alguém me lança um feitiço e fico imóvel?
É claro que usei exemplos completamente non sense (sem sentido), mas tudo o que passa pela cabeça não destoa muito disto. 


(Os que permanecem sentados à espera da altura em que tomam a palavra, concordam, acenando a cabeça.)


A acrescentar a estes devaneios estão os clássicos reflexos desta intranquilidade: passo a engolir em seco inúmeras vezes, sinto-me sem energia e em constante sobressalto. No entanto, aquele que no meu caso mais se manifesta e o que mais me castra: a falta de apetite. 
Se algo me está a preocupar, se eu estou ansiosa com algo, eu simplesmente perco a vontade de comer. 

Esta é uma luta que há uns anos me derrubou, mas descobri por mim mesma um tratamento. A única solução para este problema, é educarmos a nossa cabeça! Ela tem de estar equilibrada, de contrário, os efeitos vão refletir-se em tudo o resto! Temos de ser mais fortes do que a nossa tendência em ir abaixo, em criar inseguranças. 

Se estivermos bem connosco, não haverá margem para dúvidas ou dramas. Para isso, é importante que nos aceitemos e procuremos melhorar aquilo com o qual não nos sentimos bem.
O psicológico é o animal que temos de domesticar! 

A minha corda ainda não está segura. Porém, agora, já sei dançar sempre que ela abana!


(Ao fundo, ouvem-se aplausos.)




Fonte: http://2.bp.blogspot.com/-iw8JnexSe8I/T4gZ6z7QKXI/AAAAAAAABT0/usaGKHbo97k/s1600/corda-bamba.jpg


Escrito por Mariana Pinto

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