terça-feira, 12 de abril de 2016

«American Crime Story - People v. O. J. Simpson»

Fonte: https://hollywoodudotnet.files.wordpress.com/2016/02/people-v-oj-simpson-american-crime-story.jpg?w=672&h=372&crop=1


O Mundo parou para assistir ao desenrolar do caso O. J. Simpson!



Em 1994, Nicole Brown e Ronald Goldman, esposa e amigo do famoso jogador de futebol americano Orenthal James Simpson, foram brutalmente assassinados. Ele foi constituído como principal suspeito. 


Fonte: http://img2.timeinc.net/people/i/2014/news/140623/nicole-brown-320.jpg


A primeira temporada da série American Crime Story reproduz fielmente aquele que se revelou um dos casos mais mediáticos de sempre. 

Ao longo de dez episódios, acompanhamos todo o processo desta história, desde a revelação dos crimes e detenção de O.J. Simpson até ao veredito.

Depois de uma fuga auxiliada por um amigo de longa data e uma tentativa de suicídio, O. J. entrega-se à polícia. 

A partir do momento em que é preso, desenvolve-se uma competição pela sua defesa. De início, Robert Shapiro é escolhido como advogado principal. No entanto, a retórica envolvente e programada de Johnnie Cochran agradam ao arguido, que o coloca no lugar do primeiro advogado. 

John Travolta (segunda foto) desempenha o papel de Shapiro (primeira foto), e embora a critica aponte um excesso de teatralidade à sua atuação, no meu entender, ela mostra-se credível. O ator consegue transmitir o esforço do advogado reconhecido que quer brilhar e o desalento daquele que neste caso encontra um adversário que o ofusca. 


Fonte: http://media.vanityfair.com/photos/56a66ed053fe7179581c0c08/master/w_1200,c_limit/people-vs-actors-oj-simpson-ss09.png


O discurso de pastor (padre, sacerdote) de Johnnie Cochran (primeira foto) funciona perfeitamente em tribunal e permite tornar este um caso de racismo. Johnnie sustenta a defesa de O.J. na afirmação da falsificação de provas. Ele reitera que a cena do crime foi alterada e o ADN do arguido foi propositadamente colocado no local. Quem o fez? Os próprios investigadores responsáveis pelo caso. Porquê? Pelo facto de O.J. Simpson ser negro. 
Courtney B. Vance (segunda foto) interpreta de modo irrepreensível a fibra deste advogado. 


Fonte: http://br.web.img2.acsta.net/r_x_600/newsv7/16/01/28/16/51/5483370.jpg


A dar credibilidade ao argumento de Cochran chega, no momento certo, um vídeo onde o principal detective do caso, Mark Fuhrman (primeira foto), desempenhado por Steven Pasquale (segunda foto), afirma que a polícia de Los Angeles realiza uma verdadeira perseguição aos negros. Na opinião do próprio, todos eles deveriam ser mortos.


Fonte: http://www.media1.hw-static.com/media/2016/03/mark-fuhrman-getty-steven-pasquale-the-people-v-oj-simpson-fx-032816.jpg


Do lado da acusação está a promotoria pública representada na pessoa de Marcia Clark e Chris Darden. 
Marcia Clark acostumou-se a ganhar casos e como sempre, dedica-se inteiramente a este. No entanto, dada a mediatização do mesmo, ela acaba por ver a sua vida exposta e o seu estilo ridicularizado pelos meios sociais.
Marcia tenta ignorar as criticas, mas torna-se impossível não se ressentir e não se deixar influenciar por elas. Sarah Paulson deixa os papéis perturbadores a que nos habituou em American Horror Story, e traz-nos a firmeza e sensibilidade desta promotora. 


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No caso de Sterling K. Brown, envolve-nos o bom senso e humanidade que confere a Darden. Em momentos fulcrais, vemo-lo tomar decisões erradas, porém assistimos também à reprovação dos seus conselhos por parte de Marcia, os quais resultariam em escolhas acertadas. 


Fonte: http://img.wennermedia.com/social/chris-darden-sterling-k-brown-zoom-59710bd7-2a19-4bc6-85cf-3440ddc0e682.jpg


O juíz do caso, Lance Ito (primeira foto), interpretado pelo ator Kenneth Choi (segunda foto), não escapa aos holofotes e apresenta-se impotente face à autoridade do júri. No sistema judicial norte-americano, cidadãos previamente selecionados formam um conjunto de jurados, responsável por avaliar os argumentos de defesa e acusação e determinar se o arguido é culpado ou inocente.


Fonte: http://www.media1.hw-static.com/media/2016/03/kenneth-choi-the-people-v-o-j-simpson-fx-judge-lance-ito-getty-032816.jpg


Na pele de O.J. Simpson (primeira foto) aparece Cuba Gooding Jr. (segunda foto), que nos transmite uma dupla faceta incrível: o homem arrogante ao lado do homem frágil. Na série, a expressão de Simpson surge mais suave que a do verdadeiro, de maneira que se torna mais fácil simpatizar com a personagem.


Fonte: http://media.thecelebrityauction.co/picture/c/c3/CwMdBE5KXQQSFFwAGw0bABoRSxEcCEwXChg8HgQVEwABXCANBgwGBig
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Como perceberão ao ver a série, tudo neste julgamento está envolto em dualismo.

Quando se trata do nosso parecer e, ao contrário de O.J., é impossível estar convicto da nossa posição. 


Fonte: http://www.eonline.com/eol_images/Entire_Site/2016123/rs_480x270-160223210344-ACS_-4_not_guilty_gif.gif



O elenco contribui decisivamente para a adaptação extraordinariamente bem conseguida desta narrativa real. Uma aposta ganha, que faz desta, a série do ano. 

Escrito por Mariana Pinto

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