terça-feira, 22 de março de 2016

Medo de Amar



Fiquei à janela, sentada, a ver a chuva cair.

A chuva magoa, sabias? É por isso que ficamos escondidos, a vê-la cair, sem deixar que ela caia sobre nós. 

Posso dizer o mesmo do amor. Ele magoa! É por isso que, por vezes, nos escondemos dele, não o queremos ver e não nos permitimos senti-lo.

Pergunto: e se o amor não magoasse?

Escondemo-nos com medo do que vem, do que está por vir, do que pode vir e arrebatar-nos ou do que pode vir e passar-nos ao lado.

Fugimos porque não sabemos lidar com a dor e, consequentemente, com o amor. 

Fugimos porque temos medo de não saber lidar com o amor, de não saber amar na dose certa. Existe uma "dose certa" de amor ou será uma "dose q.b." de amor, definível para cada um, independente de cada um, própria de cada um?

Fugimos porque temos medo do amor, temos medo de amor e de sermos amados. Como se pode ter medo de ser amado? É por mostrarmos a alguém as nossas fraquezas, as nossas fragilidades, os nossos defeitos (e feitios)? Se assim é, também não será, quem nos ama, um meio de protecção, de segurança?  

Não acreditamos no amor. Não por ele não existir, mas porque amámos (ou julgámos amar) e saímos destruídos, completamente em pedaços, mais desfeitos do que ruínas, de um amor anterior. Isso não nos impede de acreditarmos nele e não o impede a ele de existir. Nem todos os amores são "amores errados" ou "maus amores". No entanto, deixamos de acreditar e não queremos voltar a acreditar, não queremos resistir nem mais uma réstia que seja de ilusões? Porquê? Por medo!

Contudo, chega uma altura, que mesmo sem queres, ele chega. O amor chega. Consome-nos. E ficamos com medo, pelo passado, pelo futuro. Só não tememos o presente. Se vivermos no presente, afinal, que futuro teremos? 

Questionamos o amor, por medo.

"O medo petrifica-nos". O medo rouba-nos a oportunidade de viver. Ou melhor, nós deixamos que o medo leve essa oportunidade. Deixamos que o medo nos afastasse do sentir, nos impeça de sentir. 

Se não sentirmos medo, pode ser amor?

E, depois, quando o medo passa?

Voltando atrás: se o amor não magoasse, não lhe daríamos valor. Se o amor não doesse, por uma única vez que fosse, não era amor. 

Amar, além de tudo o que sabemos, é também tornarmo-nos vulneráveis para alguém e deixar que esse alguém nos proteja, tal como nós o iremos proteger.

***

Estava sentada, à janela, a ver a chuva cair. Estava dentro de casa para que essas gotas não me magoassem. 

Percebemos que amamos.

Então, levantamo-nos, saímos para a rua e deixamos que a chuva caia sobre nós. Descobrimos que a chuva não magoa e, se a chuva não magoa mais, o amor não magoará, também.

Corremos na rua, debaixo da chuva.

Corremos e deixamos o medo lá em casa, a ver-nos da janela. 

Agora amamos, porque não temos medo!

Temos medo de muitas coisas, mas já não temos medo do amor. 


Fonte: http://api.ning.com/files/jayBrbZQIAmEXurXk5Wfns99xaY4zlftu-KL-Ymk1VdxiKidxflDbN2-wPuHvYHjCJqwLglbjRmRiGLteq9UkfGyi9VY0GPB/mulhernachuvaFFF.jpg


Escrito por Filipa Martins

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