quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

«As Dez Figuras Negras»

O engraçado é que não consigo perceber se fiz uma primeira leitura ou uma releitura deste livro. 
A dado momento, experimentei uma espécie de déjà-vu e pensei: “Calma, eu lembro-me disto”. Contudo, porque não me recordava dos acontecimentos em pormenor e, felizmente, nem do desfecho, imaculada, continuei a leitura. 
A autora, Agatha Christie, descrita como “Queen of Crime”, aclamada pelos seus romances policiais, satisfaz o meu gosto no que ao género se refere.




Dez pessoas, dispares em idade, personalidade e estilo de vida, viajam rumo à chamada «Ilha do Negro». As mesmas são convidadas a aí passar uma semana recreativa, e aparentemente, o anfitrião parece ser conhecido de todas.
Depois de algum tempo no local, começam a suspeitar da ausência do proprietário da ilha. A acrescentar, está o facto de inesperadamente, uma noite, após o jantar, quando um disco é colocado no gramofone, uma voz enumerar os crimes cometidos por cada convidado. 
Revoltos, os dez negam a sua culpa e pretendem descobrir o autor desta brincadeira de mau gosto. 
A partir deste momento, estas dez pessoas começam a morrer segundo os acontecimentos descritos na seguinte lengalenga (a mesma encontra-se num quadro disposto na casa):

Dez meninos negros foram jantar;
Um engasgou-se e sobraram nove.
Nove meninos negros deitaram-se muito tarde;
Um dormiu de mais e sobraram oito.
Oito meninos negros foram viajar pelo Devon;
Um disse que por lá ficava e sobraram sete.
Sete meninos negros foram cortar lenha;
Um cortou-se em dois e sobraram seis.
Seis meninos negros brincaram com uma colmeia;
Um abelhão ferrou um e sobraram cinco.
Cinco meninos negros seguiram a advocacia;
Um foi para o Supremo Tribunal e sobraram quatro.
Quatro meninos negros foram para o mar;
Um caiu no anzol e sobraram três.
Três meninos negros andavam pelo jardim zoológico;
Um levou um chi-coração de um urso enorme e sobraram dois.
Dois meninos negros sentaram-se ao sol;
Um deles fico assado e sobrou um.
Um menino negro ficou completamente só;
Foi e enforcou-se e não sobrou nenhum. 


 Depois de se acusarem mutuamente, chegam a uma conclusão: o assassino é um deles!

A sequência de mortes continua, ocorrendo fielmente como narrada na cantilena. Em certos casos, os homicídios não são de imediato expostos, mas algo anuncia uma perda. Dez figuras negras estão em cima da mesa da sala, e à medida que cada uma das pessoas é morta, elas vão desaparecendo. 

Através das conversas entre os residentes, descobrimos se eles são ou não culpados pelos delitos de que foram acusados. Também graças a estes diálogos e aos seus pensamentos (o narrador faz o favor de nos confidenciar sobre eles) conseguimos traçar o perfil de cada um. 

No final, uma ilha silenciosa e ocupada por dez cadáveres. Após todos os procedimentos, a polícia não chegou ao assassino. 

Desculpem deixar-vos assim, mas dizer mais seria retirar todo o entusiasmo que a leitura oferece. O objetivo é irem agora atrás do livro e saciarem a curiosidade. Acreditem, o próprio culpado dar-vos-á todas as respostas! 



(Fonte da 1.ª imagem: http://www.toptenz.net/wp-content/uploads/2015/05/agatha-christie1.jpg)
(Fonte da 2.ª imagem: http://4.bp.blogspot.com/-RCq-N5X8OXs/Ucmd6BjehYI/AAAAAAAAADw/RNU3n9jME60/s1600/As+Dez+Figuras+Negras.jpg)
(Fonte da 3.ª imagem: http://randomwallpapers.net/aww-yeah-meme-memes-faces-photo-1920x1080-wallpaper96913.jpg)


Escrito por Mariana Pinto

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