domingo, 13 de dezembro de 2015

Vento e um tubinho de cola UHU

Hoje, a minha mãe acordou irritadiça. Entre pôr a mesa para o almoço, aspirar o corredor principal da casa e passar, pela quinta vez, um paninho do pó sobre um móvel aleatório, ia soltando as pragas típicas de mãe: «Não tenho ninguém que me ajude a fazer nada! Que sorte a minha! Ó que vida esta!». 
Confesso que não estava a entender esta implicância até olhar pela janela da cozinha e vislumbrar o pior inimigo da minha mãe: o vento. Vento? Mas o que vem a ser isto? A minha mãe não suporta esses caprichos da natureza! E lá continuava ela a lançar farpas e a revelar os seus queixumes. Tudo porque estes fenómenos atmosféricos não se coadunam com uma das suas paixões, a jardinagem: «Ai! Os meus vasinhos! Uma pessoa não pode ter nada arranjado!».
Todas as mães têm uma receita infalível, um segredo que, na hora certa, soluciona qualquer embaraço. Descobri, desde cedo, que a fórmula da minha mãe é a cola! Não uma cola qualquer! A cola UHU.  Há sempre um tubinho amarelo cá em casa para coisas partidas, coisas não partidas, coisas que precisam de fixação e coisas que não precisam de fixação. Enfim, cola UHU para tudo e mais alguma coisa! Na cabeça dela, colocava-se uma gotinha de cola em cada vaso e eles não saíam mais do lugar! Nem com ventos fortes, com rajadas passíveis de atingir os 120 quilómetros por hora! 
Mais logo, já sei que me vem dar a fatídica ordem: «Vai à Internet ver o tempo que eles dão para amanhã! Vê se eles dão vento!». 


Escrito por Susana Ferreira.

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