segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

«Chase your reality»


Fonte: http://www.ishafoundation.org/us/blog/wp-content/uploads/2013/02/inception-totem.jpg

Jgkdrsdfghjlnbcxsertyuik,mnbvcxzaswertyuik,mnbvcxzasrt. É assim que a vossa mente fica depois de assistir ao filme Inception. Um misto de «Oh meu deus! Isto é tão bom!» e de «Nãããããããããããããããão! Este final! Fghjklkjhygtfrdesxdcvghjki!». Já várias pessoas me tinham falado acerca do filme mas só agora, cinco anos depois do lançamento, é que me debrucei sobre a obra de ficção. Percebi que andei a adiar sem motivo, porque a película vai, efetivamente, ao encontro dos meus gostos e da área de estudos que mais me fascina: o imaginário. 
Se, por um lado, o ato de imaginar pode trazer ao ser humano alguns benefícios, como o desenvolvimento da criatividade e do espírito crítico e o regresso a um mundo maravilhoso que julgava encerrado na infância, por outro lado, o mau uso da capacidade de idealizar pode causar dependência. De uma forma muito simplista, imaginar não é nada mais do que criar imagens. O produto da operação imaginativa dá-nos, repentinamente, aquilo que mais desejamos e suaviza a angústia que corrompe o quotidiano do cidadão comum. Por este motivo, a imaginação pode afigurar-se um ópio negativo. 
O filme Inception aborda a importância do sonho (momento em que a realidade se desvincula da consciência) e até que ponto este pode afetar o mundo real e o curso natural da vida do homem. Dom Cobb, personagem interpretada por Leonardo DiCaprio, é um contrabandista de ideias que, impedido de regressar aos Estados Unidos, anseia com o dia em que voltará a ver o rosto dos filhos. Habitualmente, Cobb é pago para roubar informações importantes durante os sonhos das suas vítimas, contudo, o poderoso empresário Saito propõe-lhe algo inédito: se Cobb conseguir «plantar» uma ideia na mente do herdeiro de Maurice Fischer, seria ilibado de todas as acusações e poderia voltar para casa. Determinado, Cobb reúne uma equipa especializada para cumprir a missão. 
Durante o filme, para além de aprendermos algumas curiosidades acerca dos sonhos, ainda percebemos como o subconsciente humano pode ser tão complexo e como a fronteira entre a loucura e a lucidez é ténue. 

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O grande mistério do filme é, precisamente, o desfecho. Depois de concluir a missão com sucesso, Dom regressa a casa. No momento em que revê os filhos, lança o pião que o acompanhou desde sempre para comprovar se, de facto, estava a viver a sua realidade. A câmera foca o pião a girar e a cena termina. Na verdade, o espectador fica indeciso. Estaria Dom a sonhar ou não? 
Apesar de não ser muito conclusivo, o realizador Christopher Nolan pronunciou-se, este ano, a propósito do final polémico:  «The point is, objectively, it matters to the audience in absolute terms: even though when I’m watching, it’s fiction, a sort of virtual reality. But the question of whether that’s a dream or whether it’s real is the question I’ve been asked most about any of the films I’ve made. It matters to people because that’s the point about reality. Reality matters.». Tendo em conta as palavras do realizador, aqui vai a minha teoria. Toda a obra de ficção é irreal, uma vez que é concebida pela imaginação. Assim, julgo que o pião continua a girar, de modo a desconcertar o espectador. Já não se trata da personagem Dom e da sua história, trata-se de uma interação entre o objeto irreal e o espectador, de modo a transmitir a mensagem do filme: «segue a tua realidade e não os teus sonhos». Na mesma entrevista, Nolan chega mesmo a dizer-nos que «In the great tradition of these speeches, generally someone says something along the lines of 'Chase your dreams,' but I don’t want to tell you that because I don’t believe that. I want you to chase your reality». 


Já viram o filme? Qual é a vossa teoria? 

Escrito por Susana Ferreira.




2 comentários:

  1. 1º de tudo, otimo texto, otima prespectiva...

    A minha teoria é a seguinte, o totem do Cobb não é o pião. O pião é o totem da Mal, e com é dito no filme, o totem tem de ser único para cada pessoa, logo, o Cobb tem de ter um... A sua aliança. Ele tem a aliança no sonho e não tem na realidade.
    Spoiler
    no final ele não tem a aliança...

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    1. Obrigada pelo comentário =)
      De facto, essa teoria faz todo o sentido!

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