sábado, 5 de dezembro de 2015

«As lágrimas secam sozinhas»

Amy revela-nos a princípio a criança desembaraçada e culpada pela tentação que é a comida. A relação extraconjugal do pai representou o momento mais doloroso da sua vida, o qual marcou também a sua música: “Understand once he was a family man/ So surely I would never, ever go through it first hand/ Emulate all the shit my mother hated.” (What it is about men?).
Sempre tendo a música como paixão, foi descoberta e desde logo descrita como “uma alma antiga num corpo jovem”.
Num evento casual, conhece aquele que foi o seu amor de perdição. Uma união intocável, onde os dois experimentam as diversas sensações advindas de substâncias elícitas e atingem os limites. Mas a verdade é que Blake mantinha uma relação anterior, e não era só o homem dela, “We only said goodbye with words/ I died a hundred times/You go back to her/ And I go back to/ I go back to us” (Back to Black).
Contudo, era nele que encontrava o seu reflexo, e quando caíram no fundo, juntos tentaram reerguer-se. Falhou, porque na saída voltaram ao que realmente os tornava vivos. Nesta altura, aquela que era classificada como a nova promessa do soul, vê o seu sucesso musical ser trocado por estampas de revistas e vídeos que revelam o seu estado decadente.
Depois do marido ser detido, ela refugia-se cada vez mais naqueles que se tornaram os seus escapes.
Nomeada em 2008 para o Grammy de artista revelação, sobe ao palco para cantar e no final é anunciado que é a vencedora. Surpreendida pela vitória e emocionada pelo emissor ser Tony Bennett, mais tarde confidencia a uma amiga: “Isto sem as drogas não tem tanta graça.” (a afirmação não é literal).
De volta ao estúdio, é altura de gravar “Rehab”, que a lança de novo para a ribalta. Decidida a recuperar-se, recolhe-se e tenta aproveitar a vida longe dos holofotes.
Um dia, liga para uma das amigas de infância, aquelas com quem tinha perdido contacto devido à instabilidade que foi o seu percurso, e diz que quer encontrar-se com ela, retomar a amizade, pede desculpa. Três dias depois é encontrada morta na sua casa, com um nível de álcool no sangue demasiado elevado para o organismo de um ser humano.
A sua música foi o mais fiel diário, e quem sabe se antes de o compor já o destino o havia cantado? O que de melhor fez ficou, depois do luto, “as lágrimas secam sozinhas”.

Convido-vos a ver. A seguir, partilhem opiniões comigo/connosco!


Escrito por Mariana Pinto


Fonte: http://www.billboard.com/files/media/amy_web.jpg

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