terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Uma análise de "Alice no País das Maravilhas"

O livro Alice no País das Maravilhas tornou-se alvo de inúmeros estudos por parte da Psicologia, da Psicanálise, da Neurociência e ainda da Linguística.


O facto de Alice percecionar os tamanhos de maneira distinta, ora crescendo ora diminuindo, de forma a conseguir passar pela porta que a levará ao jardim, foi um sintoma declarado por várias crianças quando analisadas pelos psiquiatras. A conclusão passou por uma atividade anormal nos lóbulos parentais que, no entanto, se revela inofensiva, trata-se de um processo designado de micropsia.


Fonte: http://www.alice-in-wonderland.net/wp-content/uploads/tall-alice-2.jpg



Em muitos momentos, a personagem depara-se com seres e objetos que mudam de forma, como é o caso do gato cujo corpo se desvanece mais rápido do que o sorriso. A neurociência avaliou esta situação fazendo a analogia com os sonhos onde temos a necessidade de conservar as memórias e as imagens poderiam fazer parte de uma pintura surrealista, tal a aparente desconexão dos elementos.


Fonte: https://www.walldevil.com/wallpapers/w03/940943-alice-in-wonderland-cats-cheshire-cat.jpg



Também ao nível da semântica, a obra se revela profícua, no sentido de que a correção gramatical do poema que Alice recita contrasta com a falta de sentido das palavras.

«Era briluz. As lesmolisastouvas.
roldavam e reviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.»

(Poema "Jabberwocky", tradução de Augusto de Campos)



Assim os neurocientistas constataram que o cérebro processa de forma independente o significado e a gramática.



- O meu nome é Alice, mas...
- Que nome tão estúpido - interrompeu com impaciência Humpty Dumpty.
- Um nome tem de significar alguma coisa? - perguntou Alice timidamente.
- Claro que sim! - disse Humpty com um sorriso seco - O meu significa exatamente a forma que eu tenho (uma forma, por certo, muito formosa). Tu, em contrapartida, com um nome assim podes ter qualquer forma.


Deste modo, a neurociência que considerava os sons de cada palavra arbitrários, conclui que de facto o significado (conceito, corresponde ao conteúdo) da palavra pode estar relacionado com o seu significante ("imagem acústica", trata-se da cadeia de sons da palavra).


- É um tipo de memória muito pobre a que só funciona para trás - retorquiu a rainha.
- De que tipo de coisas se recorda melhor? - aventurou-se Alice a perguntar.
- Oh, as coisas que ocorrem na semana que vem depois da seguinte. - respondeu a rainha num tom despreocupado.


Tendo em conta este diálogo, considerou-se que a memória pode agrupar passado e futuro e as próprias memórias podem auxiliar na projeção das ideias vindouras.



- Não vale a pena tentar. - disse Alice - Não se pode acreditar em coisas impossíveis.
- Atrevo-me a dizer que não tens muita prática - respondeu a rainha - Quando tinha a tua idade fazia-o durante hora e meia. Às vezes conseguia acreditar em seis coisas impossíveis antes do pequeno-almoço.

Na verdade, os psicólogos entendem que as crianças que se prestam à atividade imaginativa tendem a ser mais criativas e desenvolvem assim mais facilmente as suas capacidades cognitivas.



*


Além de todas as reflexões e ensinamentos que a obra-prima de Lewis Caroll disponibiliza às áreas referidas, ela oferece inspiração nas suas diversas personagens para as fantasias da celebração carnavalesca. Eu inspirei-me na inigualável Rainha de Copas:





Auxílio científico de artigos do site http://observador.pt/


Escrito por Mariana Pinto

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Quem tem um pai tem tudo

Quem tem uma mãe tem tudo, mas quem tem um pai... Tem tudo e uma mão cheia de historietas caricatas. Hoje decidi contar-vos três situações em que o meu pai é a personagem principal, como ele gosta. 






1.

O Leonel, o nosso cão, não come sempre a mesma marca de ração ou de alimento húmido. Há que aproveitar os preços baixos e, a dada altura, a minha mãe optou por comprar um patê, em forma de chourição, para o canídeo degustar. O Leonel degustava e bem. No entanto, o chourição era grande e, como o magnânimo de pêlo louro não o podia comer, evidentemente, de uma vez, eu guardava aquela espécie de enchido no frigorífico, envolvido num saco de conservação. 

Certo dia, estavam os meus pais no seu leito, quando eu ouço esta troca de bitaites:

- Credo! Mas que hálito é esse?? - diz a minha mãe.

- Olha também não percebo! É daquela mortadela ou chouriço que tu compraste !!! Ainda por cima sabe mesmo mal!! - remata o meu pai. 

Quando soube que a ''mortadela'' fazia parte da dieta diária do Leonel, o meu pai virou o jogo e disse que ''estava a brincar'', que não tinha comido nada daquilo! Claro! 




2. 

Um dia destes, o meu pai decidiu introduzir um cotonete no ouvido para regularizar a sua higiene pessoal. Tudo muito bem, pois cada um tem de cuidar da sua. Todavia, há momentos que não requerem objetos pontiagudos numa zona delicada, como quando estamos com pressa ou à espera de alguém. 

Estavam o meu pai e o seu cotonete, em casa do meu avô, à espera que eu e a minha mãe chegássemos. Quando parece ouvir o barulho do carro da minha mãe, o quinquagenário esquece, por momentos, que tem um cotonete introduzido na orelha e vai, à varanda, confirmar se era o veículo da esposa. Efetivamente, era. Olvidado do seu amigo cotonete, o meu pai sente uma comichão dentro da orelha. Pensando que é uma mosca, acha por bem dar uma palmada. Como seria de esperar, a palmada fez com que o cotonete entrasse, de rompante, e conhecesse o tímpano. 




3.

O meu pai pela-se por uma boa doença. Padece de diabetes (tipo 2) e, há dois meses, de uma lesão na perna. Quando lhe disseram que aquela lesão era semelhante a uma que o Luisão do Benfica sofreu, ficou em pulgas e limpou o stock de Voltaren da farmácia local. Finalmente, tinha uma doença com glamour. Mas sabem como é, o barulho das luzes seduz, porém não é tudo. A diabetes é a doença que faz palpitar o seu coração e que está sempre lá para o apoiar. 

Por algum motivo, os valores da diabetes subiram um pouquinho. Nada de alarmante. Contudo, para o meu pai, trata-se de um momento solene. Se a diabetes o traiu com um ou dois valores acima do pretendido, ele decide montar uma barricada à diabetes: beber água com vinagre de sidra todos os dias, ao longo do dia. Agora, andam copos e garrafas de água com vinagre por toda a casa.

Por engano, bebi com toda a pujança três goles daquele néctar divino. 

- Ai que horror! Quem é que pôs isto aqui?? - disse eu.

- Que horror?!?! Só te faz é bem!!! - diz o meu pai. 


Conclusão, o meu pai quer matar a diabetes dele, a minha e a da aldeia inteira. 




Escrito por Susana Ferreira.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Lúcifer 🔥👿




Se estão a precisar de uma dose generosa de boa disposição, hoje trago a luz ao fundo do túnel que tanto aguardavam! Esta luz vem das profundezas e estabelece-se na Califórnia, para fazer umas férias prolongadas. 




Fonte: http://www.filmandtvnow.com/wp-content/uploads/2016/05/Lucifer-FOX-TV-series-artwork.jpg


Pois é! O diabo (o próprio), farto das punições e do vil mundo inferior, considera que a sua vida de cão (de servo de Deus) chegou ao fim. Embora caído, Lúcifer é um anjo, como tal escolhe a cidade que melhor o define para assentar: Los Angeles. À moda de Camões, a série começa in medias res, uma vez que, quando o espectador conhece Lúcifer Morningstar, já o mafarrico arrecada cinco anos de convivência com os mortais. Durante estes cinco anos, o diabo transformou-se num empresário de sucesso e abriu a Lux, uma discoteca bem animada lá por aquelas bandas. Se pensam que o diabo se tornou bem-sucedido pelo seu charme, estão corretos. No entanto, há que realçar que aqui também vigorou a meritocracia. Para além de ter a faturação toda em ordem, Lúcifer encanta as noites das criaturas mundanas com sessões de música ao vivo, adornadas com um piano de cauda, uma voz sedutora e uma presença espirituosa. 


A somar a esta sua profissão, Morningstar gosta de saber os desejos mais obscuros dos humanos que se cruzam com ele, para que os possa concretizar, sejam eles benevolentes ou mais travessos. Tem o dom de olhar nos olhos das pessoas e de lhes arrancar as vontades mais recônditas. Ora, um dom desta dimensão tem de ser explorado ao máximo! O diabo aproveita o facto de ter conhecido Chloe, uma inspetora da polícia judiciária, para lhe impingir os seus valiosos serviços. Por outro lado, Lúcifer não descansa enquanto não descobrir por que motivo a inspetora não cai na sua hipnose diabólica. Assim, junta-se o útil ao agradável, para além de contribuir para a segurança da gente de Los Angeles, Lúcifer ainda pode investigar as origens de Chloe. 



Fonte: https://i.pinimg.com/originals/a3/a6/54/a3a654230029de61ad9cc1ac8dd73153.jpg



Os dois tornam-se parceiros de investigação e criam uma amizade muito cómica. Aliás, não esperem que a série seja dramática e cheia de desventuras proporcionadas pelo sobrenatural. Em Lúcifer, reina a positividade, o sarcasmo afiado, a ironia certeira e um caso de homicídio para desvendar em cada episódio. Evidentemente, que mais criaturas celestes vão aparecer e desestabilizar a vida ostensiva que Lúcifer foi construindo. Todavia, o fantástico é utilizado na medida exata. Não há exorcistas, crucifixos ou rezas. Há somente o caricato, a virilidade e a lascívia da figura que, outrora, governou o Inferno. 


Fonte:http://fangirlish.com/wp-content/uploads/2017/08/Lucifer-Cast-Header.jpeg


Entre a luxúria, uma vida de consultor da polícia judiciária e as sessões de psicoterapia com a Doutora Linda Martin, vamos assistindo a uma humanização progressiva do diabo, que vai ganhando consciência dos seus sentimentos, emoções e da forma como a sua presença pode afetar a vida do próximo. As únicas coisas que nunca irão mudar são o seu gosto refinado, a preferência por fatos de alta costura e o seu inesperado talento para lidar com crianças. 


Fonte: https://i.pinimg.com/originals/a8/74/6a/a8746a994052717541a7082a7d98ac03.jpg







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Fonte:https://i.pinimg.com/736x/02/d3/0c/02d30ce27e62afec9f1a3309492bb388--lucifer-morningstar-tom-ellis.jpg














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A série vai na sua terceira temporada e sai, todas as segundas, na Fox. Se estão a precisar de uma gargalhada, não a vão encontrar no Céu. 🔥





Escrito por Susana Ferreira.